Residência em Enfermagem: como funciona e como passar
Postado em 11/10/2026
A residência é uma pós-graduação em serviço, com bolsa e dedicação exclusiva. Entenda as regras, as diferenças entre modalidades e o que pesa na seleção.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaA residência em área profissional da saúde, criada pela Lei nº 11.129/2005, é uma pós-graduação lato sensu de formação em serviço. Para o Enfermeiro, existem programas multiprofissionais e uniprofissionais, como a residência em enfermagem obstétrica. Os programas costumam durar dois anos, com 60 horas semanais e carga mínima de 5.760 horas, em dedicação exclusiva e com bolsa paga pelos Ministérios da Saúde ou da Educação. A seleção é por edital, geralmente com prova objetiva sobre SUS e enfermagem, e algumas instituições incluem análise de currículo ou entrevista.
O que é a residência e como ela é regulamentada
A Lei nº 11.129/2005 instituiu a residência em área profissional da saúde como modalidade de ensino de pós-graduação lato sensu, voltada à educação em serviço, e criou a Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS). A Portaria Interministerial MEC/MS nº 1.077/2009 organiza a residência multiprofissional e em área profissional e o programa nacional de bolsas. As diretrizes gerais dos programas estão em resoluções da CNRMS.
Em cada instituição, os programas são coordenados por uma Comissão de Residência Multiprofissional (Coremu), responsável pelo processo seletivo, pelo acompanhamento dos residentes e pela certificação.
Multiprofissional ou uniprofissional
| Modalidade | Como funciona | Exemplos de áreas |
|---|---|---|
| Multiprofissional | Enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos e outros profissionais em formação conjunta, com práticas da própria profissão e atividades interprofissionais | Saúde da família, terapia intensiva, urgência, oncologia, saúde mental, cardiologia |
| Uniprofissional | Apenas uma profissão no programa | Enfermagem obstétrica, enfermagem em centro cirúrgico, entre outras ofertas locais |
As áreas disponíveis dependem de cada instituição e mudam a cada edital. Hospitais universitários, secretarias de saúde e hospitais de ensino concentram boa parte das vagas.
Carga horária, duração e bolsa
- Duração: em geral dois anos; alguns programas têm duração maior.
- Carga horária: 60 horas semanais, incluindo plantões, e mínimo de 5.760 horas no total, entre atividades práticas, teórico-práticas e teóricas.
- Dedicação exclusiva: o residente não pode manter outros vínculos de trabalho durante o programa, conforme as regras do edital.
- Bolsa: mensal, com valor definido nacionalmente pelos Ministérios e informado em cada edital, com descontos previdenciários e tributários.
- Certificado: ao final, o residente aprovado recebe o certificado de especialista na área do programa, que pode ser registrado no Coren.
A rotina é intensa: plantões, rodízios por setores, aulas, preceptoria de profissionais do serviço e trabalho de conclusão. Por outro lado, a residência oferece prática supervisionada, contato com casos complexos e uma das formações mais reconhecidas pelos empregadores da saúde.
Como se preparar para a seleção
- Acompanhe os editais: muitas seleções abrem no segundo semestre para início no ano seguinte. Hospitais universitários da rede Ebserh participam do Exame Nacional de Residência (Enare), que inclui residências multiprofissionais.
- Estude legislação do SUS: Constituição, Leis nº 8.080/1990 e nº 8.142/1990, Política Nacional de Atenção Básica e políticas de humanização e segurança do paciente aparecem em quase todas as provas.
- Revise enfermagem geral e da área: Processo de Enfermagem, ética e legislação profissional, saúde coletiva e conteúdos clínicos da área escolhida.
- Resolva provas anteriores: da mesma instituição ou banca, cronometrando.
- Organize o currículo: quando há análise de currículo, contam monitoria, iniciação científica, extensão, estágios extracurriculares e publicações. O Lattes atualizado facilita.
- Prepare-se para entrevista: quando prevista, saiba explicar por que escolheu a área e o programa.
Perguntas frequentes
Recém-formado pode fazer residência?
Sim. A maioria dos programas aceita recém-formados com diploma ou declaração de conclusão e registro no Coren até a matrícula, conforme o edital.
Posso trabalhar durante a residência?
Em regra, não. A residência é em dedicação exclusiva e a carga é de 60 horas semanais.
Residência ou especialização: qual escolher?
A residência oferece formação em serviço intensiva, com bolsa, mas exige dedicação exclusiva por cerca de dois anos. A especialização permite conciliar com o trabalho. A escolha depende do momento de vida e do objetivo profissional.
Se a dedicação exclusiva não cabe agora, uma pós-graduação permite se especializar sem deixar o emprego.
Referências
- Brasil. Lei nº 11.129, de 30 de junho de 2005. Institui o Programa Nacional de Inclusão de Jovens e cria a residência em área profissional da saúde, entre outras providências.
- Brasil. Ministério da Educação; Ministério da Saúde. Portaria Interministerial nº 1.077, de 12 de novembro de 2009. Dispõe sobre a residência multiprofissional em saúde e a residência em área profissional da saúde.
- Brasil. Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde. Resolução CNRMS nº 2, de 13 de abril de 2012. Diretrizes gerais para os programas de residência multiprofissional e em área profissional da saúde.
- Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Edital do processo seletivo de residência, 2025.
- Brasil. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Lei Orgânica da Saúde.
