Gestão de conflitos na equipe de enfermagem

Gestão de conflitos na equipe de enfermagem

Postado em 11/10/2026

Conflito em equipe de enfermagem é inevitável, e nem sempre é ruim. O problema é o conflito ignorado ou mal conduzido, que afeta o clima, a comunicação e a segurança do paciente.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaGerir conflitos na enfermagem significa identificar cedo a tensão, entender a causa real e conduzir uma conversa que leve a um acordo concreto. As causas mais comuns são escalas e divisão de tarefas, falhas de comunicação entre turnos, diferenças de papel entre categorias e sobrecarga. O modelo de Thomas e Kilmann descreve cinco estilos de resposta: competir, colaborar, ceder, evitar e acomodar. O líder escolhe o estilo conforme a situação. Assédio e desrespeito não são conflitos a mediar: são infrações éticas e devem ser tratados pelos canais formais.

De onde vêm os conflitos na enfermagem

A enfermagem trabalha em equipe, em turnos, sob pressão de tempo e com responsabilidade sobre vidas. Esse contexto favorece atritos. As fontes mais frequentes são:

  • Escala e distribuição de tarefas: percepção de que alguns trabalham mais, folgam mais ou ficam com os pacientes mais leves.
  • Passagem de plantão: pendências deixadas para o turno seguinte e informações incompletas.
  • Papéis profissionais: dúvidas sobre o que cabe ao Enfermeiro, ao Técnico e às outras profissões.
  • Sobrecarga: quadro de pessoal insuficiente aumenta a irritabilidade e reduz a tolerância.
  • Valores e estilos: diferenças de geração, de formação ou de forma de trabalhar.
  • Relação com outras equipes: médicos, farmácia, laboratório e áreas de apoio.

Identificar a fonte é o primeiro passo, porque a solução muda. Conflito de escala se resolve com critério claro. Conflito de papel se resolve com definição de atribuições. Conflito de valores pede conversa e acordos de convivência.

Os cinco estilos de resposta

O instrumento de Thomas e Kilmann classifica as respostas a conflitos conforme duas dimensões: o quanto a pessoa busca atender aos próprios interesses e o quanto busca atender aos interesses do outro.

EstiloComo éQuando pode ser útil
CompetirImpõe a própria posiçãoSituações de risco imediato ao paciente, em que não há tempo para negociar
ColaborarBusca solução que atenda aos dois ladosProblemas importantes e recorrentes, como regras de escala
Ceder (compromisso)Cada lado abre mão de parteQuando há urgência e os interesses são equivalentes
EvitarAdia ou não enfrentaQuestões menores ou quando os ânimos precisam esfriar
AcomodarPrioriza o interesse do outroQuando o assunto importa mais para o outro lado ou para preservar a relação

Nenhum estilo é sempre certo. O risco está em usar sempre o mesmo, por exemplo, um líder que evita todos os conflitos ou que impõe todas as decisões.

Roteiro de mediação para o líder

  1. Escolha o momento e o local: nunca no corredor ou na frente de pacientes. Converse em local reservado, fora de momentos críticos do plantão.
  2. Ouça cada parte separadamente, se a tensão for alta, antes de reunir os envolvidos.
  3. Descreva fatos, não rótulos: "a medicação das 14h ficou pendente três vezes nesta semana" funciona melhor que "você é desorganizado".
  4. Separe pessoas de problemas e foque no interesse comum, que na enfermagem é quase sempre a segurança do paciente.
  5. Construa opções juntos e escolha a que tem critérios objetivos.
  6. Feche com acordo concreto: o que muda, quem faz e a partir de quando.
  7. Registre e acompanhe: marque uma conversa de retorno para verificar se o acordo funcionou.

Quando não é conflito

Gritos, humilhações, ameaças, discriminação e assédio não devem ser tratados como "desentendimento" a ser mediado. São condutas que violam o Código de Ética e, conforme o caso, a legislação trabalhista e penal. O líder deve acolher quem relatou, registrar os fatos e acionar os canais formais da instituição, como ouvidoria, recursos humanos e comissão de ética de enfermagem, além do Coren quando couber.

Perguntas frequentes

Conflito na equipe é sinal de má liderança?

Não. Conflitos são esperados em equipes que trabalham sob pressão. O sinal de alerta é o conflito que se repete sem solução ou que é ignorado pela liderança.

Devo reunir as partes logo de início?

Se os ânimos estiverem exaltados, é melhor ouvir cada pessoa separadamente antes. Reúna as partes quando houver condição de conversa respeitosa.

E se o conflito for com outra categoria profissional?

Leve os fatos à sua liderança e às chefias da outra área. Conflitos entre equipes costumam exigir acordos de fluxo e protocolos, e não apenas conversas individuais.

Liderança de equipes

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Referências

  1. Thomas KW, Kilmann RH. Thomas-Kilmann Conflict Mode Instrument. Tuxedo (NY): Xicom; 1974.
  2. Fisher R, Ury W, Patton B. Getting to yes: negotiating agreement without giving in. 3rd ed. New York: Penguin Books; 2011.
  3. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 564/2017. Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.
  4. Kurcgant P, coordenadora. Gerenciamento em enfermagem. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016.
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