Segurança do paciente: as seis metas internacionais na prática

Segurança do paciente: as seis metas internacionais na prática

Postado em 11/10/2026

Identificação, comunicação, medicamentos, cirurgia, infecção e quedas: veja o que cada meta exige da equipe de enfermagem no plantão e como elas se conectam às normas brasileiras.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaAs seis metas internacionais de segurança do paciente, publicadas pela Joint Commission International, são: identificar os pacientes corretamente, melhorar a comunicação efetiva, melhorar a segurança dos medicamentos de alta vigilância, garantir a cirurgia segura, reduzir o risco de infecções associadas aos cuidados de saúde e reduzir o risco de danos decorrentes de quedas. No Brasil, o Programa Nacional de Segurança do Paciente adotou seis protocolos básicos semelhantes, que incluem lesão por pressão. A enfermagem executa grande parte das barreiras previstas em todas elas.

Metas internacionais e protocolos brasileiros

As metas internacionais surgiram para focar a atenção dos serviços nos problemas de segurança mais frequentes e evitáveis. No Brasil, a Portaria MS nº 529/2013 instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente, e as Portarias nº 1.377/2013 e nº 2.095/2013 aprovaram seis protocolos básicos. A RDC Anvisa nº 36/2013 tornou obrigatórios o Núcleo de Segurança do Paciente e o Plano de Segurança do Paciente nos serviços abrangidos.

Meta internacionalProtocolo básico brasileiro relacionado
1. Identificar os pacientes corretamenteIdentificação do paciente
2. Melhorar a comunicação efetivaSem protocolo próprio entre os seis; a RDC nº 36/2013 inclui a comunicação efetiva no Plano de Segurança do Paciente
3. Melhorar a segurança dos medicamentos de alta vigilânciaSegurança na prescrição, uso e administração de medicamentos
4. Garantir cirurgia seguraCirurgia segura
5. Reduzir o risco de infecçõesPrática de higiene das mãos
6. Reduzir o risco de danos por quedasPrevenção de quedas
Não faz parte das seis metasPrevenção de úlcera (lesão) por pressão

Meta 1 e meta 2: identificar e comunicar

Identificação. Use pelo menos dois identificadores, como nome completo e data de nascimento, e nunca o número do leito. Confirme a identidade antes de administrar medicamentos e hemocomponentes, coletar exames e realizar procedimentos, perguntando ao paciente quando ele puder responder. Pulseira ilegível ou ausente deve ser substituída na hora.

Comunicação. Na enfermagem, os pontos críticos são a passagem de plantão, as transferências entre unidades, as ordens verbais e a comunicação de resultados críticos. Ferramentas estruturadas como o SBAR e a técnica de ler de volta e confirmar reduzem omissões. Ordens verbais devem ficar restritas a situações de urgência e ser registradas depois.

Meta 3: medicamentos de alta vigilância

São medicamentos com maior potencial de causar dano grave quando há erro, como insulinas, anticoagulantes, eletrólitos concentrados, opioides e quimioterápicos. As barreiras incluem armazenamento separado e identificado, rótulos de alerta, padronização de concentrações, dupla checagem independente nas situações definidas pela instituição e uso de bombas de infusão com biblioteca de fármacos, quando disponíveis. Aplique sempre os certos da administração de medicamentos.

Meta 4 e meta 5: cirurgia segura e infecções

Cirurgia segura. A enfermagem conduz ou participa da lista de verificação nos momentos antes da indução anestésica, antes da incisão e antes de o paciente sair da sala, confirmando identidade, procedimento, lateralidade, consentimento, alergias, materiais e contagem de compressas e instrumentais.

Infecções. A higiene das mãos nos cinco momentos recomendados pela OMS é a medida central. Somam-se a ela os pacotes de cuidados para cateter venoso central, sonda vesical e ventilação mecânica, definidos com o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar.

Meta 6: quedas

Avalie o risco de queda na admissão, em mudanças de condição clínica e após transferências, com escala adotada pela instituição. Sinalize o risco, mantenha a cama baixa e travada, a campainha ao alcance, o ambiente iluminado e livre de obstáculos, e oriente paciente e acompanhante. Toda queda deve ser notificada e analisada. Veja o detalhamento no artigo sobre prevenção de quedas no hospital.

Perguntas frequentes

As metas internacionais são obrigatórias no Brasil?

As metas da Joint Commission International são exigidas nas instituições que buscam essa acreditação. Os protocolos básicos do Ministério da Saúde e as exigências da RDC nº 36/2013 se aplicam aos serviços abrangidos pela norma.

Número do leito pode ser usado como identificador?

Não. O leito muda e pode ser trocado por engano. Use identificadores ligados à pessoa, como nome completo e data de nascimento.

Quem deve notificar um incidente?

Qualquer profissional que o identificar, pelo canal definido pela instituição. A análise é feita pelo Núcleo de Segurança do Paciente, com foco em causas e não em culpados.

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Referências

  1. Joint Commission International. International Patient Safety Goals. Oak Brook (IL): JCI.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 529, de 1º de abril de 2013. Institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.377, de 9 de julho de 2013, e Portaria nº 2.095, de 24 de setembro de 2013. Aprovam os protocolos básicos de segurança do paciente.
  4. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde.
  5. World Health Organization. WHO guidelines on hand hygiene in health care. Geneva: WHO; 2009.
  6. World Health Organization. Global patient safety action plan 2021-2030. Geneva: WHO; 2021.
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