Endometriose: sinais de alerta e papel da enfermagem
Postado em 11/10/2026
Cólica que impede a rotina não é normal. A endometriose leva anos para ser diagnosticada, e a escuta qualificada da enfermagem pode antecipar a suspeita e o encaminhamento.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaA endometriose é uma doença inflamatória crônica em que tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero. Segundo a Organização Mundial da Saúde, afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, e o diagnóstico pode levar de 4 a 12 anos. Os sinais mais comuns são cólica menstrual intensa, dor pélvica crônica, dor na relação sexual, dor ao evacuar ou urinar no período menstrual e infertilidade. A diretriz europeia ESHRE de 2022 recomenda ultrassonografia ou ressonância na investigação e deixou de tratar a laparoscopia como padrão-ouro obrigatório. O Enfermeiro contribui reconhecendo os sinais, registrando a dor de forma estruturada e encaminhando para avaliação médica.
O que é a endometriose
Na endometriose, lesões de tecido semelhante ao endométrio se implantam principalmente na pelve: ovários, peritônio, ligamentos uterossacros, septo retovaginal, intestino e bexiga. Essas lesões respondem aos hormônios do ciclo e provocam inflamação, aderências e dor. Mais raramente, aparecem fora da pelve.
A doença não tem cura definitiva. O tratamento busca controlar a dor, preservar a fertilidade quando desejada e melhorar a qualidade de vida, combinando analgésicos, terapia hormonal, cirurgia em casos selecionados e abordagens complementares, como fisioterapia pélvica e apoio psicológico.
Sinais que devem levantar suspeita
A Organização Mundial da Saúde e as diretrizes internacionais destacam os seguintes sintomas:
- Dismenorreia intensa, que leva a faltas na escola ou no trabalho ou não melhora com analgésicos comuns.
- Dor pélvica crônica, não necessariamente ligada à menstruação.
- Dispareunia de profundidade, dor na penetração profunda.
- Disquezia e disúria cíclicas, dor ao evacuar ou urinar no período menstrual, às vezes com sangue nas fezes ou na urina.
- Infertilidade.
- Distensão abdominal, náuseas e fadiga, frequentemente associados.
Nenhum desses sinais isolado confirma a doença, mas a combinação deles, especialmente em adolescentes e mulheres jovens com cólica incapacitante, justifica investigação.
Por que o diagnóstico demora
| Barreira | Como aparece na prática |
|---|---|
| Normalização da dor | "Cólica é normal", dito pela família, pela escola e, às vezes, por profissionais |
| Sintomas inespecíficos | Dor confundida com intestino irritável, infecção urinária ou dor muscular |
| Supressão hormonal sem investigação | Anticoncepcional melhora a dor e adia a avaliação |
| Acesso a exames especializados | Ultrassonografia com preparo intestinal e ressonância nem sempre disponíveis |
A Lei nº 14.324/2022 instituiu o Dia Nacional de Luta contra a Endometriose, em 13 de março, e a Semana Nacional de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose, que entre seus objetivos inclui orientar as mulheres a buscar diagnóstico precoce.
O que mudou no diagnóstico
A diretriz da European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE) de 2022 trouxe mudanças importantes:
- Recomenda ultrassonografia ou ressonância magnética na investigação, lembrando que exame normal não exclui a doença, sobretudo a forma peritoneal superficial.
- Deixa de tratar a laparoscopia com histologia como padrão-ouro obrigatório. A laparoscopia passa a ser considerada quando a imagem é negativa e o tratamento empírico falhou ou não é adequado.
- Não recomenda biomarcadores em sangue, tecido ou fluidos para diagnóstico.
- Admite que o tratamento hormonal empírico pode ser iniciado com base na clínica e na imagem, discutindo prós e contras com a paciente.
Na prática, isso significa que a mulher sintomática não precisa esperar uma cirurgia para ter a dor levada a sério e tratada.
O papel do Enfermeiro
O Enfermeiro está presente na atenção primária, na saúde escolar, no planejamento reprodutivo e nos serviços de ginecologia. Em todos esses pontos, pode:
- Perguntar ativamente sobre dor menstrual na consulta de enfermagem, inclusive com adolescentes.
- Registrar a dor de forma estruturada: intensidade em escala numérica, relação com o ciclo, impacto nas atividades, dispareunia, sintomas intestinais e urinários.
- Orientar o diário de sintomas, que ajuda o médico a reconhecer o padrão cíclico.
- Encaminhar para avaliação médica quando houver suspeita, conforme o fluxo da rede.
- Apoiar o tratamento, explicando os métodos hormonais prescritos, a adesão e os efeitos esperados.
- Cuidar da saúde mental, porque a dor crônica afeta sono, humor, trabalho e relações.
Perguntas frequentes
Endometriose sempre causa infertilidade?
Não. Muitas mulheres com endometriose engravidam sem tratamento. A doença aumenta o risco de dificuldade para engravidar, mas não determina infertilidade.
Ultrassom normal descarta endometriose?
Não. Lesões peritoneais superficiais podem não aparecer na imagem. Se os sintomas persistirem, a investigação continua com o médico.
O Enfermeiro pode prescrever o tratamento?
O diagnóstico e o tratamento da endometriose são de competência médica. O Enfermeiro atua na identificação, no registro, na orientação e no apoio à adesão.
O Grupo Nobre oferece habilitações e pós-graduações voltadas à saúde da mulher e à obstetrícia para ampliar a atuação da Enfermeira.
Referências
- World Health Organization. Endometriosis. Fact sheet. Geneva: WHO; atualizado em outubro de 2025.
- Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, Horne A, Jansen F, Kiesel L, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009.
- National Institute for Health and Care Excellence. Endometriosis: diagnosis and management (NG73). London: NICE; 2017.
- Zondervan KT, Becker CM, Missmer SA. Endometriosis. N Engl J Med. 2020;382(13):1244-56.
- Brasil. Lei nº 14.324, de 2022. Institui o Dia Nacional de Luta contra a Endometriose e a Semana Nacional de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose.
