Puericultura: consulta de enfermagem à criança

Puericultura: consulta de enfermagem à criança

Postado em 11/10/2026

A consulta de puericultura é uma das ações mais potentes do Enfermeiro na Atenção Primária. Veja como organizar o atendimento, o que avaliar em cada encontro e como registrar segundo o Processo de Enfermagem.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaPuericultura é o acompanhamento periódico da saúde da criança, com foco em crescimento, desenvolvimento, alimentação, vacinação, prevenção de acidentes e identificação precoce de riscos. A consulta de enfermagem é atividade privativa do Enfermeiro (Lei nº 7.498/1986) e deve seguir as cinco etapas do Processo de Enfermagem (Resolução Cofen nº 736/2024). O Ministério da Saúde recomenda que a primeira consulta do recém-nascido ocorra na primeira semana de vida, e o acompanhamento segue um calendário mínimo registrado na Caderneta da Criança.

O que é puericultura e por que ela importa

A puericultura reúne ações de promoção da saúde e prevenção de agravos que acompanham a criança desde o nascimento. Ela está no centro da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC), instituída pela Portaria GM/MS nº 1.130/2015, cujos eixos incluem aleitamento materno e alimentação complementar saudável, promoção e acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento integral, e prevenção de violências e acidentes. Na Estratégia Saúde da Família, a consulta de enfermagem intercalada com a consulta médica amplia o acesso e a continuidade do cuidado.

A primeira consulta: na primeira semana de vida

O Caderno de Atenção Básica nº 33 orienta que a primeira consulta do recém-nascido aconteça na primeira semana de vida, idealmente com visita domiciliar. É o momento de:

  • apoiar o aleitamento materno exclusivo, observando pega e posição;
  • verificar se o teste do pezinho e as demais triagens neonatais foram feitos;
  • conferir a Caderneta da Criança e a vacinação (BCG e hepatite B);
  • avaliar o coto umbilical, a icterícia, a perda de peso e as eliminações;
  • identificar fatores de risco e vulnerabilidades da família;
  • avaliar a saúde da puérpera, incluindo sinais de depressão pós-parto.

A partir daí, as consultas seguem o calendário mínimo do Ministério da Saúde, mais concentrado no primeiro ano, quando o crescimento é mais rápido, e espaçado depois. Consulte as idades preconizadas na Caderneta da Criança e no protocolo do seu município, que pode prever consultas adicionais para crianças de risco.

Roteiro da consulta pelo Processo de Enfermagem

EtapaO que fazer na puericultura
Avaliação de EnfermagemAnamnese (gestação, parto, intercorrências, alimentação, sono, eliminações, rotina, rede de apoio) e exame físico completo, com peso, comprimento ou estatura, perímetro cefálico e marcos do desenvolvimento
Diagnóstico de EnfermagemJulgamento clínico sobre as respostas da criança e da família, por exemplo, amamentação ineficaz ou risco de atraso no desenvolvimento, usando uma taxonomia reconhecida
PlanejamentoMetas pactuadas com a família e intervenções, com data de retorno
ImplementaçãoOrientações, vacinação, prescrição de medicamentos previstos em protocolos de saúde pública, encaminhamentos
EvoluçãoReavaliação no retorno: a meta foi alcançada? O plano precisa mudar?

O que avaliar em cada consulta

Crescimento

Peso, comprimento (deitado, até 2 anos) ou estatura (em pé) e perímetro cefálico devem ser marcados nas curvas da Caderneta da Criança, que adotam os padrões da Organização Mundial da Saúde. Mais importante que um ponto isolado é a tendência da curva: queda de canal, ganho insuficiente ou excessivo pedem investigação e discussão com a equipe.

Desenvolvimento

A Caderneta traz um instrumento de vigilância do desenvolvimento com marcos por faixa etária. A ausência de marcos esperados, a perda de habilidades já adquiridas ou a preocupação dos pais devem ser valorizadas e registradas, com encaminhamento conforme o protocolo.

Alimentação

Aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e continuado até 2 anos ou mais, com introdução da alimentação complementar adequada a partir dos 6 meses, conforme o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos. Investigue oferta de açúcar e ultraprocessados.

Vacinação, saúde bucal e segurança

Confira o esquema vacinal em todas as consultas, oriente higiene bucal desde a erupção dos dentes, sono seguro do bebê (de barriga para cima, em superfície firme) e prevenção de acidentes adequada à idade, como quedas, queimaduras, afogamento e transporte em cadeirinha.

Sinais de alerta para encaminhamento

Durante a consulta, o Enfermeiro deve reconhecer sinais de gravidade que exigem atendimento médico imediato, como recusa alimentar, vômitos persistentes, letargia, convulsão, dificuldade respiratória com tiragem, desidratação, febre em bebês pequenos e icterícia intensa. Sinais de violência ou negligência exigem notificação e acionamento da rede de proteção.

Perguntas frequentes

O Enfermeiro pode fazer puericultura sozinho?

Sim. A consulta de enfermagem à criança é privativa do Enfermeiro e, na Saúde da Família, costuma ser intercalada com a consulta médica, conforme o protocolo do município.

Até que idade vai a puericultura?

O acompanhamento do crescimento e desenvolvimento é mais intenso nos primeiros anos, mas a atenção à saúde da criança segue até o fim da infância, com consultas mais espaçadas.

Preciso usar uma taxonomia de diagnósticos?

A Resolução Cofen nº 736/2024 exige que o Diagnóstico de Enfermagem faça parte do processo. Usar uma taxonomia reconhecida padroniza o registro e facilita a continuidade do cuidado.

Saúde da criança na Atenção Primária

Puericultura, imunização e Processo de Enfermagem fazem parte da pós-graduação em Saúde Pública com ênfase em Saúde da Família.

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Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Cadernos de Atenção Básica nº 33. Brasília: Ministério da Saúde; 2012.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 1.130, de 5 de agosto de 2015. Institui a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC).
  3. Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde; 2019.
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