Desidratação infantil e terapia de reidratação oral

Desidratação infantil e terapia de reidratação oral

Postado em 11/10/2026

A diarreia aguda ainda é uma das principais causas de procura por atendimento na infância. Saber classificar a hidratação e conduzir a reidratação oral é tarefa diária do Enfermeiro na atenção primária, na urgência e na internação pediátrica.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA desidratação infantil é avaliada pelo estado geral, olhos, boca e língua, sede, pulso e perda de peso, e classificada em três situações: sem desidratação (plano A), com desidratação (plano B) e desidratação grave (plano C), conforme o cartaz Manejo do Paciente com Diarreia, do Ministério da Saúde. A terapia de reidratação oral, com sais de reidratação oral de osmolaridade reduzida, é o tratamento de escolha para os planos A e B. A desidratação grave exige hidratação venosa imediata. O Enfermeiro avalia, classifica, orienta a família, acompanha a reidratação e reconhece os sinais de piora.

Por que a criança desidrata mais rápido

Lactentes e crianças pequenas têm maior proporção de água corporal, maior superfície corporal em relação ao peso e dependem de um adulto para beber. Quando há diarreia, vômitos ou febre, a perda de água e eletrólitos supera rapidamente a ingestão. Por isso, a avaliação do estado de hidratação deve ser feita em toda criança com diarreia aguda, mesmo quando a queixa parece leve.

A primeira pergunta da avaliação é se há sangue nas fezes. Diarreia com sangue (disenteria) e comprometimento do estado geral muda a conduta e exige avaliação médica para decidir sobre antibioticoterapia, que não é competência do Enfermeiro.

Como avaliar e classificar a hidratação

O cartaz Manejo do Paciente com Diarreia, atualizado pelo Ministério da Saúde em 2023, organiza a avaliação em sinais observáveis. A tabela abaixo resume os critérios principais.

SinalSem desidratação (A)Com desidratação (B)Desidratação grave (C)
Estado geralAtivo, alertaIrritado, intranquiloComatoso, hipotônico, letárgico ou inconsciente
OlhosSem alteraçãoFundosFundos
Boca e línguaÚmidasSecas ou levemente secasMuito secas
PulsoCheioCheioFraco ou ausente
Perda de pesoSem perdaAté 10%Acima de 10%

Complementam a avaliação a sede, o choro sem lágrimas, a diurese reduzida, o sinal da prega e o tempo de enchimento capilar. Pesar a criança na chegada é essencial: o peso orienta o volume de reidratação e permite medir a resposta ao tratamento.

Planos A, B e C na prática

  • Plano A (prevenção da desidratação no domicílio): oferecer mais líquidos que o habitual após cada evacuação líquida e após cada vômito, em pequenas quantidades e com maior frequência. Manter a alimentação habitual e o aleitamento materno. Para o bebê em aleitamento exclusivo, oferecer apenas sais de reidratação oral além do leite materno. O zinco faz parte do plano para crianças de 6 meses a menores de 5 anos, conforme prescrição e protocolo.
  • Plano B (reidratação oral na unidade de saúde): a criança permanece em observação recebendo sais de reidratação oral em volume calculado pelo peso, com reavaliação frequente. Se não houver melhora da desidratação após 6 horas, o cartaz orienta encaminhar para hospital de referência.
  • Plano C (desidratação grave): hidratação venosa imediata com soro fisiológico ou ringer lactato, em fases definidas pelo protocolo e pela prescrição. Se o acesso venoso periférico for difícil, a equipe considera o acesso intraósseo conforme protocolo institucional.

Terapia de reidratação oral: como orientar

Os sais de reidratação oral de osmolaridade reduzida, recomendados pela OMS e pelo UNICEF, repõem água, sódio, potássio e glicose de forma equilibrada, aproveitando o cotransporte de sódio e glicose no intestino. O soro não cura a diarreia, mas previne e trata a desidratação.

  1. Preparo correto: dissolver um envelope inteiro em 1 litro de água filtrada ou fervida e já fria. Não acrescentar açúcar nem sal, não ferver depois de pronto e descartar após 24 horas.
  2. Oferta fracionada: pequenas quantidades com colher, copo ou seringa, várias vezes. Se a criança vomitar, aguardar cerca de 10 minutos e recomeçar mais devagar, como orienta a Caderneta da Criança.
  3. Alimentação mantida: não suspender o leite materno nem a alimentação habitual. O jejum prolongado piora o estado nutricional.
  4. Evitar bebidas inadequadas: refrigerantes, sucos industrializados muito açucarados e bebidas esportivas não substituem os sais de reidratação oral.

Na unidade, registre o volume oferecido, as perdas (evacuações, vômitos, diurese) e o peso a cada reavaliação. A tolerância à via oral e a evolução dos sinais clínicos definem a alta, a manutenção no plano B ou a mudança para o plano C.

Perguntas frequentes

Soro caseiro substitui o envelope de sais de reidratação oral?

O soro caseiro é uma alternativa emergencial quando não há envelope disponível. Sempre que possível, prefira os sais de reidratação oral, que têm composição padronizada e estão disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde.

Precisa suspender o leite durante a diarreia?

Não. O aleitamento materno e a alimentação habitual devem ser mantidos. A suspensão só ocorre por indicação específica da equipe.

Antidiarreico é indicado para criança?

Antidiarreicos não fazem parte do manejo rotineiro da diarreia aguda infantil. Qualquer medicamento deve seguir prescrição e protocolo.

Quando a criança precisa de soro na veia?

Na desidratação grave (plano C) ou quando a reidratação oral falha, por vômitos persistentes, recusa ou piora clínica, conforme avaliação da equipe.

Cuidado à criança na atenção primária

Puericultura, protocolos do Ministério da Saúde e atuação do Enfermeiro na Estratégia Saúde da Família são temas da pós em Saúde Pública do Grupo Nobre.

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Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Manejo do paciente com diarreia [cartaz]. Brasília: Ministério da Saúde; 2023.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Caderneta da Criança: passaporte da cidadania. 6. ed. Brasília: Ministério da Saúde.
  3. World Health Organization. The treatment of diarrhoea: a manual for physicians and other senior health workers. 4th rev. Geneva: WHO; 2005.
  4. World Health Organization; United Nations Children's Fund. Clinical management of acute diarrhoea: WHO/UNICEF joint statement. Geneva: WHO; 2004.
  5. Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem.
  6. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Processo de Enfermagem.
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