Febre na criança: avaliação e cuidados de enfermagem
Postado em 11/10/2026
A febre é o motivo mais comum de procura por atendimento pediátrico. O papel do Enfermeiro é medir corretamente, identificar a criança com sinais de gravidade e orientar a família sem alarmismo.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaPela atualização da Sociedade Brasileira de Pediatria de 2025, considera-se febre a temperatura axilar de 37,5 °C ou mais, medida com termômetro digital, ou 38 °C ou mais nas medidas oral e retal. A febre é um sinal de defesa, não uma doença, e o mais importante é avaliar o estado geral da criança. Antitérmicos são indicados quando há desconforto, um de cada vez e sem alternância. Toda febre em lactente menor de 3 meses e qualquer sinal de gravidade exigem avaliação médica imediata.
O que é febre e por que ela acontece
A febre é a elevação da temperatura corporal regulada pelo hipotálamo, em geral em resposta a infecções. Ela difere da hipertermia, em que o corpo aquece sem mudança no ponto de regulação, como na exposição excessiva ao calor. Na maioria das crianças, a febre é causada por infecções virais autolimitadas, mas também pode ser o primeiro sinal de infecção bacteriana grave, como meningite, pneumonia, infecção urinária ou sepse.
A SBP passou a adotar o valor axilar de 37,5 °C, antes 37,8 °C, como definição de febre. O documento ressalta que esse valor serve para definir o quadro, não para indicar medicação ou atendimento de urgência por si só.
Como medir a temperatura corretamente
- Prefira o termômetro digital na axila, mantido pelo tempo indicado pelo fabricante, com a axila seca e o braço junto ao corpo.
- Em menores de 1 ano, a SBP recomenda o termômetro digital.
- Termômetros infravermelhos de testa ou ouvido devem ser usados por profissionais treinados, considerando suas limitações.
- Evite medir logo após o banho, com a criança muito agasalhada ou após atividade intensa.
- Registre o valor, o local de aferição, o horário e se houve antitérmico recente.
Avaliação de enfermagem: o que importa além do termômetro
A intensidade da febre não indica, sozinha, a gravidade. O estado geral, a hidratação e os sinais vitais dizem mais. Diretrizes como a do NICE para febre em menores de 5 anos organizam essa avaliação em níveis de risco, observando cor da pele, atividade, respiração, hidratação e outros sinais.
| Avaliar | Sinais de alerta |
|---|---|
| Estado geral e comportamento | Prostração, sonolência excessiva, irritabilidade extrema, choro fraco ou inconsolável, não responde aos estímulos |
| Respiração | Taquipneia, gemência, tiragem, batimento de asa de nariz, saturação baixa |
| Circulação e pele | Pele pálida, moteada ou cianótica, extremidades frias, enchimento capilar lentificado, manchas vermelhas que não desaparecem à pressão |
| Hidratação | Boca seca, ausência de lágrimas, diurese reduzida, recusa de líquidos |
| Neurológico | Rigidez de nuca, convulsão, fontanela abaulada no lactente |
| Idade e duração | Lactente menor de 3 meses com febre, febre por mais de 72 horas |
Na classificação de risco, a criança febril com qualquer desses sinais deve ter prioridade de atendimento. Lembre que a Caderneta da Criança lista febre de 37,5 °C ou mais como sinal de perigo em bebês menores de 2 meses.
Antitérmicos e medidas de conforto
Segundo a SBP, o tratamento deve ser guiado pelo desconforto da criança, como choro intenso, irritabilidade, redução da atividade ou do apetite e alteração do sono, e não por um número isolado. Os antitérmicos usados em pediatria no Brasil são paracetamol, dipirona e ibuprofeno, com dose calculada pelo peso conforme prescrição. Pontos-chave para a orientação de enfermagem:
- Usar um antitérmico de cada vez. A SBP desaconselha a alternância, que aumenta o risco de erro de dose e intoxicação sem benefício comprovado.
- Usar a seringa dosadora do próprio medicamento e conferir a concentração do frasco.
- Não usar ácido acetilsalicílico em crianças, pelo risco de síndrome de Reye.
- Oferecer líquidos com frequência, roupas leves e ambiente ventilado.
- Compressas frias e banhos gelados não são recomendados: trazem pouco benefício e aumentam o desconforto.
Perguntas frequentes
Febre alta causa lesão cerebral?
A febre causada por infecção, por si só, raramente causa dano. O risco está na doença que provoca a febre, por isso a avaliação clínica é o mais importante.
É preciso dar antitérmico sempre que a temperatura passar de 37,5 °C?
Não. Se a criança está ativa, hidratada, se alimentando e dormindo bem, o antitérmico pode não ser necessário. A indicação é o desconforto.
Antitérmico previne convulsão febril?
Não há evidência de que antitérmicos previnam convulsão febril. A família deve ser orientada sobre como agir e procurar atendimento se ela ocorrer.
Qual a diferença entre a temperatura axilar e a retal?
A medida retal ou oral costuma ser mais alta. Por isso a SBP usa 38 °C como referência para essas vias e 37,5 °C para a axilar.
Reconhecer o paciente grave, inclusive a criança febril, é parte da Habilitação em Enfermeiro Emergencista do Grupo Nobre.
Referências
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Abordagem da febre aguda em pediatria e reflexões sobre a febre nas arboviroses. Rio de Janeiro: SBP; 2025.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e de Infectologia. Manejo da febre aguda. Rio de Janeiro: SBP; 2021.
- National Institute for Health and Care Excellence. Fever in under 5s: assessment and initial management. NICE guideline NG143. London: NICE; 2019.
- Brasil. Ministério da Saúde. Caderneta da Criança: passaporte da cidadania. 6. ed. Brasília: Ministério da Saúde.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Processo de Enfermagem.
