Cuidados paliativos: controle de sintomas e comunicação

Cuidados paliativos: controle de sintomas e comunicação

Postado em 11/10/2026

Da avaliação sistemática dos sintomas à conversa difícil com a família: o que o Enfermeiro faz, na prática, para aliviar sofrimento em cuidados paliativos.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaEm cuidados paliativos, o Enfermeiro avalia os sintomas de forma sistemática, com escalas como a ESAS (Edmonton Symptom Assessment System), aplica medidas não farmacológicas, administra e monitora a terapêutica prescrita e reavalia com frequência. Dor, dispneia, náuseas, constipação, fadiga e delirium são os sintomas mais trabalhados. A comunicação segue protocolos estruturados, como o SPIKES, e respeita as diretivas antecipadas da pessoa. Desde 2024, a Política Nacional de Cuidados Paliativos (Portaria GM/MS nº 3.681/2024) organiza esse cuidado no SUS.

Avaliar antes de tratar: escalas que orientam o cuidado

Os princípios gerais de cuidados paliativos já estão no post Cuidados paliativos: princípios para a enfermagem. Aqui o foco é a prática. O primeiro passo é medir. Sintoma que não é avaliado não é tratado.

InstrumentoO que avaliaUso na enfermagem
ESASIntensidade de 0 a 10 de sintomas como dor, cansaço, náusea, falta de ar, ansiedade, depressão, apetite e bem-estarRastreio periódico e acompanhamento da resposta às intervenções
PPS (Palliative Performance Scale)Funcionalidade global em percentuaisApoio ao planejamento e à comunicação de prognóstico com a equipe
Escalas de dor adaptadasDor em pessoas que não verbalizam, por comportamentoPacientes com demência avançada ou rebaixamento de consciência

A avaliação deve ser repetida em intervalos definidos e sempre após cada intervenção. Registre o valor, a intervenção e a reavaliação no Processo de Enfermagem.

Controle dos principais sintomas

O plano farmacológico é definido pela equipe médica. Ao Enfermeiro cabe administrar conforme prescrição e protocolo, vigiar efeitos adversos, propor ajustes à equipe e conduzir as medidas de enfermagem.

  • Dor: avalie localização, tipo, intensidade e impacto. A OMS orienta analgesia regular, por horário, e não apenas "se necessário" quando a dor é contínua, com doses de resgate para picos. Ofereça posicionamento, calor ou frio local quando indicados e medidas de conforto.
  • Dispneia: eleve a cabeceira, mantenha o ambiente ventilado e use ventilador direcionado ao rosto, medida com boa evidência de alívio. Oxigênio deve seguir a prescrição, pois nem toda falta de ar melhora com ele.
  • Constipação: quando há uso de opioides, o laxativo costuma ser prescrito de forma preventiva. Monitore o padrão intestinal diariamente.
  • Náuseas e vômitos: investigue causa (medicamentos, constipação, obstrução, alterações metabólicas) e informe a equipe. Ofereça pequenas porções e higiene oral.
  • Delirium: identifique precocemente com instrumentos validados. Medidas não farmacológicas incluem orientação, presença da família, luz natural de dia, sono preservado e revisão de medicamentos com a equipe.
  • Boca e pele: higiene oral frequente, hidratação labial, prevenção de lesão por pressão e mudança de decúbito ajustada ao conforto, e não a uma rotina rígida.

Quando a via oral não é possível, a hipodermóclise é uma alternativa segura e confortável para vários medicamentos e para hidratação, conforme protocolo institucional.

Comunicação: o protocolo SPIKES e outras estratégias

O SPIKES, publicado por Baile e colaboradores em 2000, organiza a comunicação de notícias difíceis em seis etapas: preparar o ambiente (Setting), entender a percepção do paciente (Perception), perguntar quanto ele quer saber (Invitation), compartilhar a informação (Knowledge), acolher as emoções (Emotions) e combinar os próximos passos (Strategy and Summary).

O Enfermeiro participa dessas conversas, retoma o que foi dito com a família e percebe dúvidas que não apareceram na reunião. Algumas estratégias úteis:

  • Perguntar, informar, perguntar: antes de explicar, pergunte o que a pessoa já sabe. Depois, confirme o que ela entendeu.
  • Nomear emoções: frases como "percebo que isso assusta" abrem espaço para o sofrimento.
  • Silêncio: nem toda pausa precisa ser preenchida.
  • Conferência familiar: reunião planejada com equipe e família para alinhar objetivos de cuidado, registrada em prontuário.

Últimos dias e últimas horas

Reconhecer a fase final de vida permite reorganizar o cuidado: suspender intervenções que não trazem conforto, como aferições frequentes sem objetivo, manter o controle de sintomas e preparar a família. Sinais comuns incluem redução da ingestão, alteração do padrão respiratório, ruído de secreção em vias aéreas, extremidades frias e sonolência progressiva. Explicar esses sinais à família, com antecedência, reduz o medo e evita intervenções desnecessárias.

Após o óbito, o cuidado continua com o preparo do corpo com respeito às crenças da família e com a atenção ao luto.

Perguntas frequentes

Usar opioide em cuidados paliativos acelera a morte?

Quando bem indicado, titulado e monitorado, o opioide alivia dor e dispneia. A prescrição é médica e o Enfermeiro monitora sedação, frequência respiratória e efeitos adversos.

Cuidados paliativos são só para pacientes com câncer?

Não. A política nacional abrange pessoas com doenças que ameaçam ou limitam a vida, como insuficiências orgânicas avançadas e demências, e seus familiares.

O Enfermeiro pode conduzir a conferência familiar?

O Enfermeiro participa e pode coordenar a reunião em equipe interdisciplinar. Informações de diagnóstico e prognóstico médico devem ser comunicadas pelo médico responsável.

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Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 3.681, de 7 de maio de 2024. Institui a Política Nacional de Cuidados Paliativos no âmbito do SUS.
  2. Baile WF, Buckman R, Lenzi R, Glober G, Beale EA, Kudelka AP. SPIKES: a six-step protocol for delivering bad news. Oncologist. 2000;5(4):302-11.
  3. Bruera E, Kuehn N, Miller MJ, Selmser P, Macmillan K. The Edmonton Symptom Assessment System (ESAS): a simple method for the assessment of palliative care patients. J Palliat Care. 1991;7(2):6-9.
  4. World Health Organization. Integrating palliative care and symptom relief into primary health care: a WHO guide for planners, implementers and managers. Geneva: WHO; 2018.
  5. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 564/2017. Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.
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