Ultrassom no PICC: escolha da veia e ZIM
Postado em 11/10/2026
A escolha da veia começa muito antes da punção. Uma varredura sistemática do braço com ultrassom define a veia, o calibre do cateter e o ponto de inserção mais seguro.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaNa inserção do PICC, o ultrassom é usado para avaliar as veias do braço, escolher a mais adequada e guiar a punção. Em geral, a veia basílica é a primeira opção, seguida das veias braquiais e da cefálica, sempre conferindo diâmetro, profundidade, compressibilidade e proximidade de artéria e nervo. O calibre do cateter deve respeitar a razão cateter-veia: o grupo italiano GAVeCeLT recomenda que o cateter ocupe no máximo um terço do diâmetro da veia, e as Normas da INS de 2021 adotam o limite de 45%. O ZIM, de Dawson, ajuda a escolher a altura da punção no braço, priorizando a zona verde, no terço médio.
Por que avaliar antes de puncionar
Trombose venosa, infecção e falhas de inserção estão ligadas a decisões tomadas antes da agulha tocar a pele: veia pequena demais para o cateter, ponto de saída em área de dobra ou punção próxima de artéria e nervo. A avaliação sistemática com ultrassom transforma essas decisões em critérios objetivos e registráveis. Protocolos de inserção segura de PICC, como os difundidos pelo grupo GAVeCeLT, incluem essa varredura como etapa obrigatória.
Este texto foca a escolha da veia. Para o detalhamento das zonas do braço, veja também o nosso post sobre o ZIM, indicado ao final.
Varredura sistemática do braço
- Posicione o paciente com o braço abduzido, se possível em cerca de 90 graus, e o aparelho na linha do olhar.
- Use o transdutor linear com preset vascular e garrote proximal para avaliar o enchimento das veias.
- Comece na prega do cotovelo em corte transversal e suba até a axila, acompanhando a basílica, as braquiais e a cefálica.
- Teste a compressibilidade em vários pontos. Veia que não colaba pode ter trombo e não deve ser puncionada.
- Siga até a região infraclavicular e cervical, avaliando a veia axilar, a subclávia quando visível e a jugular interna, para identificar obstruções no trajeto.
- Meça o diâmetro no ponto previsto para a punção, sem compressão excessiva pelo transdutor.
Basílica, braquial ou cefálica
| Veia | Vantagens | Cuidados |
|---|---|---|
| Basílica | Costuma ser calibrosa, tem trajeto mais retilíneo até a axilar e fica afastada da artéria | Pode estar próxima do nervo cutâneo medial; confira a profundidade |
| Braquiais | Boa alternativa quando a basílica é pequena ou trombosada | Correm junto à artéria braquial e ao nervo mediano; exigem precisão na punção |
| Cefálica | Superficial e fácil de visualizar | Calibre variável e junção angulada com a axilar, que pode dificultar a progressão do cateter |
A escolha final considera também o lado do corpo, a presença de fístula arteriovenosa ou plano de confecção, mastectomia com esvaziamento axilar, dispositivos prévios e a preferência funcional do paciente.
Razão cateter-veia: como escolher o calibre
A razão cateter-veia compara o diâmetro externo do cateter com o diâmetro interno da veia. Quanto maior a ocupação, menor o fluxo ao redor do cateter e maior o risco de trombose. Um French equivale a cerca de 0,33 mm. Na regra de um terço, uma forma prática de raciocinar é: o diâmetro da veia, em milímetros, deve ser pelo menos igual ao calibre do cateter em French. Assim, um PICC de 4 Fr pede uma veia de pelo menos 4 mm.
A escolha também deve considerar o número de lúmens realmente necessário. Cateteres com mais lúmens têm maior calibre externo, e diretrizes como o MAGIC orientam usar o menor calibre e o menor número de lúmens compatíveis com a terapia.
Onde entra o ZIM de Dawson
O PICC Zone Insertion Method (ZIM), publicado por Robert Dawson no Journal of the Association for Vascular Access em 2011, divide o braço, da prega do cotovelo à axila, em três zonas. A zona vermelha, próxima ao cotovelo, é evitada pela movimentação e pelas veias menores. A zona verde, no terço médio, é considerada ideal. A zona amarela, próxima à axila, oferece veias maiores, mas com mais umidade e dificuldade de fixação. O ZIM complementa a escolha da veia: primeiro se encontra uma veia adequada, depois se confirma se ela está na zona mais favorável.
Perguntas frequentes
A basílica é sempre a primeira escolha?
É a mais usada, mas a escolha depende da avaliação: diâmetro, profundidade, trajeto e condições clínicas do paciente.
Qual razão cateter-veia seguir: um terço ou 45%?
O critério deve estar definido no protocolo da instituição. Quanto menor a ocupação da veia, menor o risco de trombose.
O ZIM substitui a avaliação da veia?
Não. O ZIM orienta a altura da punção no braço. A veia precisa ser avaliada em diâmetro, compressibilidade e trajeto.
Varredura vascular, escolha do dispositivo e técnica de inserção na habilitação em PICC do Grupo Nobre.
Referências
- Dawson RB. PICC Zone Insertion Method (ZIM): a systematic approach to determine the ideal insertion site for PICCs in the upper arm. J Assoc Vasc Access. 2011;16(3):156-65.
- Gorski LA, Hadaway L, Hagle ME, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 8th Edition. J Infus Nurs. 2021;44(1S).
- Spencer TR, Mahoney KJ. Reducing catheter-related thrombosis using a risk reduction tool centered on catheter to vessel ratio. J Thromb Thrombolysis. 2017;44(4):427-34.
- Pittiruti M, Scoppettuolo G. Manual GAVeCeLT sobre PICC y Midline. 2016.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 258/2001. Inserção de Cateter Periférico Central pelo Enfermeiro.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 679, de 20 de agosto de 2021.
