RCP de alta qualidade: o que diz a diretriz AHA 2025

RCP de alta qualidade: o que diz a diretriz AHA 2025

Postado em 11/10/2026

Compressões fortes, rápidas e com o mínimo de pausas continuam sendo o centro da reanimação. Veja o que a diretriz de 2025 da American Heart Association recomenda e como o Enfermeiro organiza a equipe para entregar uma RCP de qualidade.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaSegundo a diretriz AHA 2025, a RCP de alta qualidade no adulto tem compressões com pelo menos 5 cm de profundidade (evitando passar de 6 cm), frequência de 100 a 120 por minuto, retorno completo do tórax e fração de compressão torácica de pelo menos 60%. Sem via aérea avançada, usa-se a relação 30:2; com via aérea avançada, 1 ventilação a cada 6 segundos com compressões contínuas. O compressor deve ser trocado a cada 2 minutos, aproximadamente, e as pausas antes e depois do choque devem ser as mais curtas possíveis. A checagem de pulso não deve passar de 10 segundos.

O que mudou na diretriz AHA 2025

Em outubro de 2025, a American Heart Association publicou as novas diretrizes de Ressuscitação Cardiopulmonar e Atendimento Cardiovascular de Emergência. Os parâmetros centrais da compressão torácica foram mantidos, o que reforça a força das evidências acumuladas. As mudanças mais visíveis estão na organização do cuidado e na linguagem:

  • Cadeia de sobrevivência única. As quatro cadeias da edição de 2020 foram substituídas por uma cadeia com seis elos: reconhecimento precoce e acionamento do serviço de emergência, RCP de alta qualidade, desfibrilação, ressuscitação avançada, cuidados pós-parada e recuperação e sobrevivência.
  • Posição das pás. As pás podem ser colocadas em posição anterolateral ou anteroposterior, com eletrodos de diâmetro maior que 8 cm no adulto.
  • Roupas íntimas. Pode ser razoável ajustar a posição do sutiã em vez de retirá-lo, para não atrasar o choque. A preocupação declarada é evitar que mulheres recebam desfibrilação mais tarde.
  • Terminologia. "Ventilação" passa a designar o suporte respiratório feito por profissionais, e o termo "socorrista leigo" substitui expressões anteriores.

Os componentes da compressão de qualidade

ParâmetroRecomendação AHA 2025 (adulto)
ProfundidadePelo menos 5 cm, evitando mais de 6 cm
Frequência100 a 120 compressões por minuto
Retorno do tóraxCompleto, sem apoiar o peso entre as compressões
Fração de compressãoPelo menos 60% do tempo total da RCP
Troca do compressorA cada 2 minutos, aproximadamente (cerca de 5 ciclos de 30:2)
SuperfícieFirme, com a pessoa em decúbito dorsal, quando possível sem atrasar o início

A diretriz também sugere que os tempos de compressão e de relaxamento sejam aproximadamente iguais. Na prática, isso significa evitar compressões "socadas" e curtas, que reduzem o enchimento do coração.

Pausas, ritmo e desfibrilação

Cada interrupção derruba a pressão de perfusão coronariana, que demora a se recuperar quando as compressões recomeçam. Por isso a diretriz recomenda que os profissionais de saúde verifiquem o pulso por no máximo 10 segundos e reiniciem as compressões imediatamente se o pulso não for claramente palpado. Depois do choque, é razoável voltar às compressões na hora, sem pausar para conferir o ritmo.

Na sequência medicamentosa, a diretriz considera razoável a epinefrina 1 mg a cada 3 a 5 minutos. Em ritmos não chocáveis, ela deve ser administrada assim que possível; em ritmos chocáveis, após a falha das primeiras tentativas de desfibrilação. Amiodarona ou lidocaína podem ser consideradas na fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso refratárias ao choque. A administração segue sempre a prescrição e o protocolo institucional.

Ventilação e capnografia

Antes da via aérea avançada, a equipe pode usar ciclos de 30 compressões para 2 ventilações. Com via aérea avançada instalada, a orientação é 1 ventilação a cada 6 segundos (10 por minuto), com compressões contínuas. O excesso de ventilação aumenta a pressão intratorácica e reduz o retorno venoso, então o controle do ritmo do ambu é tarefa de quem está na via aérea.

A capnografia em forma de onda é recomendada, junto da avaliação clínica, para confirmar e monitorar a posição do tubo traqueal. Durante as compressões, a diretriz sugere buscar um CO2 expirado de pelo menos 10 mmHg e, idealmente, 20 mmHg ou mais. Uma elevação abrupta do CO2 expirado pode indicar retorno da circulação espontânea.

Perguntas frequentes

A profundidade de compressão mudou em 2025?

Não. A diretriz mantém pelo menos 5 cm no adulto médio e recomenda evitar mais de 6 cm. A frequência de 100 a 120 por minuto também foi mantida.

Qual a relação compressão e ventilação na RCP do adulto?

Sem via aérea avançada, 30 compressões para 2 ventilações. Com via aérea avançada, compressões contínuas e 1 ventilação a cada 6 segundos.

De quanto em quanto tempo trocar o compressor?

A cada 2 minutos, aproximadamente, ou cerca de 5 ciclos de 30:2, aproveitando a pausa de checagem de ritmo.

A vasopressina ainda faz parte do protocolo?

Não como substituta da epinefrina. A diretriz afirma que a vasopressina, isolada ou combinada à epinefrina, não oferece vantagem sobre a epinefrina.

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Referências

  1. American Heart Association. 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Part 7: Adult Basic Life Support. Circulation. 2025.
  2. American Heart Association. 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Adult Advanced Life Support. Circulation. 2025.
  3. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 704/2022. Normatiza a atuação dos profissionais de enfermagem na utilização do equipamento de desfibrilação no cuidado ao indivíduo em parada cardiorrespiratória. Brasília: Cofen; 2022.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem. Brasília: Cofen; 2024.
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