Drogas vasoativas: cuidados de enfermagem na UTI
Postado em 11/10/2026
Noradrenalina, vasopressina, dobutamina e nitroprussiato fazem parte da rotina da terapia intensiva. Por serem medicamentos potencialmente perigosos, a segurança depende de cada etapa feita pela enfermagem.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaDrogas vasoativas são medicamentos que atuam sobre vasos e coração para corrigir alterações hemodinâmicas, divididos em vasopressores, inotrópicos e vasodilatadores. Os cuidados de enfermagem incluem preparo com concentração padronizada e dupla checagem, infusão exclusiva em bomba, via dedicada sem bolus nem flush, monitorização contínua da pressão arterial (de preferência invasiva), vigilância do sítio de infusão e titulação apenas dentro das metas prescritas. A troca de seringa ou bolsa deve ser planejada para evitar interrupção. No choque séptico, a noradrenalina é o vasopressor de primeira escolha segundo a diretriz Surviving Sepsis Campaign de 2026.
As classes de drogas vasoativas
| Classe | Exemplos | Efeito principal | Uso comum |
|---|---|---|---|
| Vasopressores | Noradrenalina, vasopressina, adrenalina | Vasoconstrição e aumento da pressão arterial | Choque distributivo, como o séptico |
| Inotrópicos | Dobutamina, milrinona | Aumento da contratilidade cardíaca | Baixo débito cardíaco, choque cardiogênico |
| Vasodilatadores | Nitroglicerina, nitroprussiato de sódio | Redução de pré e pós-carga | Emergência hipertensiva, congestão |
O efeito de muitas dessas drogas depende da dose e dos receptores estimulados: alfa-adrenérgicos produzem vasoconstrição, beta-1 aumentam frequência e contratilidade, beta-2 causam vasodilatação. Por isso a mesma droga pode ter comportamento diferente em doses distintas, e a observação do paciente é tão importante quanto o número na bomba.
O que dizem as diretrizes de sepse de 2026
A Surviving Sepsis Campaign de 2026 recomenda a noradrenalina como vasopressor de primeira linha no choque séptico, em lugar de dopamina, adrenalina ou selepressina. Sugere associar vasopressina quando a dose de noradrenalina estiver em escalada e considerar a adrenalina se a pressão continuar inadequada. A meta inicial de pressão arterial média é de 65 mmHg, tratada como faixa, e, para pessoas com 65 anos ou mais, sugere-se a faixa de 60 a 65 mmHg. A diretriz também sugere iniciar o vasopressor por via periférica para não atrasar a restauração da pressão, em vez de aguardar acesso central.
Cuidados de enfermagem do preparo à suspensão
Preparo e identificação
- Use as concentrações padronizadas pela instituição e confira cálculo, diluente e volume com dupla checagem independente.
- Identifique a seringa ou bolsa com nome do medicamento, concentração, data, hora e responsável, e identifique também a via na extremidade próxima ao paciente.
- Para o nitroprussiato, proteja da luz conforme orientação do fabricante.
Via de infusão
- Infunda sempre em bomba de infusão, com limites de dose configurados quando o equipamento permitir.
- Prefira via exclusiva. Não administre bolus nem faça flush na via da droga vasoativa: o volume parado no equipo pode chegar de uma vez ao paciente.
- No acesso periférico, inspecione o sítio com frequência e siga o protocolo para extravasamento.
Monitorização e titulação
- Monitore pressão arterial, de preferência por pressão invasiva, frequência e ritmo cardíacos, perfusão periférica, diurese e lactato.
- Titule apenas dentro da meta e da faixa de dose prescritas, registrando cada ajuste e a resposta do paciente.
- Na retirada, reduza de forma gradual conforme prescrição, observando a pressão a cada passo.
Troca de seringa ou bolsa
A interrupção, mesmo de poucos minutos, pode causar queda abrupta da pressão em pacientes dependentes do vasopressor. Prepare a nova seringa antes do fim da atual e use a técnica definida pela instituição para a transição, como a instalação de nova bomba em paralelo com redução progressiva da anterior, sempre observando o monitor.
Perguntas frequentes
Noradrenalina pode ser feita em acesso periférico?
A diretriz de sepse de 2026 sugere iniciar o vasopressor por via periférica para não atrasar o tratamento. O tempo de permanência, o calibre e a vigilância seguem o protocolo da instituição.
Posso fazer flush na via da noradrenalina?
Não. O flush empurra de uma vez o medicamento parado no equipo e pode causar pico de pressão e arritmias.
Quem decide a titulação da droga vasoativa?
A meta e a faixa de dose são prescritas pelo médico. A enfermagem ajusta dentro dessa prescrição, conforme o protocolo, e comunica quando a meta não é atingida.
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Referências
- Prescott HC, Antonelli M, Alhazzani W, et al. Surviving Sepsis Campaign: international guidelines for management of sepsis and septic shock 2026. Crit Care Med. 2026.
- Overgaard CB, Dzavík V. Inotropes and vasopressors: review of physiology and clinical use in cardiovascular disease. Circulation. 2008;118(10):1047-56.
- Brasil. Ministério da Saúde; Anvisa; Fiocruz. Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.
- Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos (ISMP Brasil). Medicamentos potencialmente perigosos de uso hospitalar: lista atualizada 2019. Boletim ISMP Brasil. 2019;8(1).
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem. Brasília: Cofen; 2024.
