Ultrassom na emergência: como o POCUS apoia o Enfermeiro

Ultrassom na emergência: como o POCUS apoia o Enfermeiro

Postado em 11/10/2026

Na sala de emergência, cada minuto conta e cada tentativa de punção pesa. Veja em quais situações o ultrassom ajuda o Enfermeiro a agir com mais segurança, e onde termina o papel da enfermagem.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaNa emergência, o Enfermeiro capacitado usa o POCUS para tarefas do próprio cuidado: obter acesso venoso guiado quando a punção às cegas falha, estimar o volume vesical, observar padrões pulmonares e a veia cava como dados de avaliação, e apoiar a equipe durante a parada cardiorrespiratória sem interromper as compressões. O Enfermeiro não emite laudo nem fecha diagnóstico, conforme a Resolução Cofen nº 679/2021. Os achados entram no registro de enfermagem e são comunicados ao médico quando exigem investigação.

Por que o ultrassom ganhou espaço na emergência

O paciente grave costuma reunir três problemas ao mesmo tempo: veias difíceis, pouca informação e pouco tempo. O ultrassom portátil responde a perguntas simples em poucos minutos, sem transportar o paciente. Diretrizes de medicina de emergência, como as do American College of Emergency Physicians, tratam o ultrassom no ponto de cuidado como extensão do exame físico, e a enfermagem passou a usar a mesma tecnologia para as decisões que são suas.

O ponto central é separar duas coisas: a avaliação focada que orienta uma intervenção de enfermagem e o diagnóstico médico. O Enfermeiro trabalha na primeira. A segunda continua sendo do médico.

Cinco usos do POCUS pelo Enfermeiro na emergência

SituaçãoPergunta do EnfermeiroO que fazer com a resposta
Acesso venoso difícilExiste veia adequada para punção?Puncionar com guia em tempo real e reduzir tentativas
Retenção urináriaQual o volume vesical estimado?Decidir sobre cateterismo conforme protocolo
DispneiaHá deslizamento pleural e qual o padrão de linhas?Registrar o achado e comunicar alteração ao médico
HipotensãoComo está a veia cava inferior?Somar ao conjunto de dados hemodinâmicos e comunicar
Parada cardiorrespiratóriaComo apoiar sem atrasar a RCP?Organizar a janela de imagem dentro da checagem de ritmo

Acesso venoso: o ganho mais imediato

Em pacientes obesos, desidratados, usuários de drogas injetáveis ou com muitas internações, a punção às cegas falha com frequência. O ultrassom com transdutor linear permite ver a veia, medir profundidade e calibre, confirmar que ela é compressível (o que ajuda a diferenciá-la da artéria) e acompanhar a ponta da agulha. Detalhamos a técnica no guia de acesso venoso periférico guiado por ultrassom. Em veias profundas, use cateteres mais longos para que boa parte do dispositivo fique dentro do vaso.

Quando o paciente precisa de droga vasoativa ou de acesso imediato e não há veia periférica viável, a decisão por cateter central ou por acesso intraósseo deve seguir o protocolo do serviço, sem insistir em tentativas repetidas.

Bexiga, pulmão e veia cava como dados de avaliação

Bexiga. Em pacientes confusos, idosos ou com dor abdominal baixa, medir o volume vesical evita sondagens desnecessárias e identifica retenção. O cálculo está no nosso guia de ultrassom de bexiga.

Pulmão. A presença de deslizamento pleural, o predomínio de linhas A ou de linhas B e a presença de consolidação são padrões que o Enfermeiro capacitado pode descrever. Esses padrões ajudam a priorizar a comunicação com o médico, mas não fecham diagnóstico de pneumonia, congestão ou pneumotórax.

Veia cava inferior. O diâmetro e a variação respiratória da VCI são um dado entre vários. A interpretação isolada é limitada, especialmente em pacientes em ventilação mecânica. O Enfermeiro registra o que observou e integra ao quadro clínico junto com pressão arterial, perfusão e diurese.

Na parada cardiorrespiratória: apoio sem atraso

Durante a RCP, o ultrassom só tem lugar se não aumentar as pausas nas compressões. A equipe posiciona o transdutor antes da checagem de ritmo, grava um clipe curto e retoma as compressões imediatamente. O papel do Enfermeiro costuma ser organizar esse fluxo, cronometrar a pausa e garantir que a imagem seja obtida dentro do tempo. Veja o passo a passo em ultrassom na parada cardiorrespiratória.

Quem quer desenvolver essas competências com respaldo técnico encontra no Grupo Nobre a Habilitação em Ultrassonografia Avançada (POCUS), que aborda protocolos focados e o registro de enfermagem.

Perguntas frequentes

O Enfermeiro pode fazer o FAST no trauma?

Pode realizar a avaliação focada se tiver capacitação e protocolo institucional, mas a interpretação diagnóstica e a decisão cirúrgica são médicas. Veja mais no nosso texto sobre o protocolo FAST e eFAST.

Posso usar o ultrassom no atendimento pré-hospitalar?

Sim. A Resolução Cofen nº 679/2021 inclui expressamente o ambiente pré-hospitalar, com as mesmas exigências de capacitação e as mesmas vedações.

Como registrar o exame no prontuário?

Descreva a indicação, a região avaliada, o achado em linguagem objetiva e a conduta de enfermagem, sem usar termos de laudo ou conclusão diagnóstica.

POCUS com segurança na emergência

A habilitação do Grupo Nobre trabalha os protocolos focados que a enfermagem usa na sala de emergência.

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Referências

  1. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 679/2021. Normatiza a ultrassonografia realizada por Enfermeiro no ponto de cuidado e no ambiente pré-hospitalar. Brasília: Cofen; 2021.
  2. American College of Emergency Physicians. Ultrasound Guidelines: Emergency, Point-of-Care and Clinical Ultrasound Guidelines in Medicine. Ann Emerg Med. 2017;69(5):e27-e54.
  3. Volpicelli G, Elbarbary M, Blaivas M, et al. International evidence-based recommendations for point-of-care lung ultrasound. Intensive Care Med. 2012;38(4):577-91.
  4. Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285.
  5. Perera P, Mailhot T, Riley D, Mandavia D. The RUSH exam: Rapid Ultrasound in SHock in the evaluation of the critically ill. Emerg Med Clin North Am. 2010;28(1):29-56.
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