Ultrassom em pediatria: acesso venoso guiado na criança

Ultrassom em pediatria: acesso venoso guiado na criança

Postado em 11/10/2026

Veias pequenas, tecido subcutâneo variável e uma criança que se mexe: a punção venosa pediátrica testa a técnica de qualquer Enfermeiro. O ultrassom ajuda, desde que adaptado ao paciente pequeno.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaEm pediatria, o ultrassom é indicado principalmente para crianças com acesso venoso difícil, identificadas por escalas como a DIVA ou por falha prévia. A técnica exige transdutor linear de alta frequência e tamanho reduzido, pouquíssima pressão (veias infantis colapsam fácil), imobilização segura e preparo para dor e ansiedade. O guia miniMAGIC recomenda tecnologia de visualização e escalonamento precoce nessas crianças. O Enfermeiro precisa de capacitação específica para usar o ultrassom, conforme a Resolução Cofen nº 679/2021.

O que muda na criança

A anatomia e o comportamento da criança mudam a punção guiada em pontos práticos:

  • Veias menores e mais superficiais: exigem transdutor de alta frequência e ajuste fino de profundidade.
  • Veias que colapsam com facilidade: qualquer pressão do transdutor pode fazer a veia "sumir" da tela.
  • Tecido subcutâneo variável: lactentes têm mais gordura subcutânea, o que esconde veias à inspeção e à palpação.
  • Movimento: a criança não colabora como o adulto, e um movimento brusco desloca a agulha.
  • Dor e medo: experiências ruins de punção aumentam a ansiedade em procedimentos futuros.

Revisamos a técnica convencional em acesso venoso periférico em pediatria. Aqui o foco é o que o ultrassom acrescenta.

Quando usar o ultrassom na criança

O guia miniMAGIC, que orienta a escolha de dispositivos intravenosos em pediatria, recomenda tecnologia de visualização para crianças com acesso venoso difícil e escalonamento precoce para profissional experiente, evitando tentativas repetidas. Na prática, considere o ultrassom quando:

  • a pontuação da escala DIVA indicar alto risco, ou seja, 4 pontos ou mais;
  • houver falha na primeira tentativa por profissional experiente;
  • a criança tiver doença crônica, internações frequentes ou história de punções difíceis;
  • for necessária uma veia de maior calibre para a terapia prevista.

Técnica adaptada passo a passo

  1. Prepare a família e a criança. Explique em linguagem adequada à idade. Sempre que possível, mantenha um responsável junto, com papel definido (distrair, segurar a mão).
  2. Controle da dor. Use medidas não farmacológicas, como posicionamento confortável, distração e, em recém-nascidos, sucção e contato pele a pele, e anestésico tópico conforme prescrição e protocolo, respeitando o tempo de ação.
  3. Escolha do transdutor. Linear de alta frequência; em lactentes, transdutores lineares pequenos facilitam o posicionamento.
  4. Mapeamento. Avalie as veias do antebraço, da fossa antecubital e do braço; na criança pequena, a veia safena no tornozelo também é opção. Confirme a compressibilidade e diferencie de artérias com Doppler colorido quando disponível.
  5. Pressão mínima. Use bastante gel e apoie a mão no paciente, deixando o transdutor quase "flutuar" sobre a pele.
  6. Imobilização segura. Imobilize o membro com tala ou apoio, sem comprimir excessivamente e sem restringir a respiração.
  7. Punção guiada. No eixo curto, acompanhe a ponta da agulha movendo o transdutor à frente dela. Ao ver a ponta dentro da veia, avance o cateter com cuidado.
  8. Fixação e proteção. Fixe com curativo estéril transparente e proteja o local para que a criança não manipule.

Essas adaptações são trabalhadas na Habilitação em Ultrassonografia Avançada (POCUS) do Grupo Nobre, que inclui a punção venosa guiada entre os protocolos focados para Enfermeiros.

Quando pensar em outro dispositivo

Se a terapia for longa, com medicamentos irritantes, vesicantes ou nutrição parenteral, ou se houver várias falhas mesmo com ultrassom, discuta com a equipe um dispositivo de maior permanência, como o PICC. No recém-nascido, as opções incluem o PICC neonatal e o cateterismo umbilical, cada um com indicação e competência próprias.

Perguntas frequentes

Ultrassom em criança é seguro?

O ultrassom diagnóstico não usa radiação ionizante e é amplamente utilizado em pediatria. A segurança do procedimento depende principalmente da técnica de punção e da imobilização.

Qual o melhor eixo para puncionar veias pequenas?

O eixo curto é o mais usado em veias pequenas, porque facilita centralizar a veia. O importante é acompanhar a ponta da agulha durante todo o avanço.

Os pais podem ficar durante a punção?

Na maioria dos casos, a presença de um responsável acalma a criança. Combine antes qual será o papel dele durante o procedimento.

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Referências

  1. Ullman AJ, Bernstein SJ, Brown E, et al. The Michigan Appropriateness Guide for Intravenous Catheters in Pediatrics: miniMAGIC. Pediatrics. 2020;145(Suppl 3):S269-S284.
  2. Yen K, Riegert A, Gorelick MH. Derivation of the DIVA score: a clinical prediction rule for the identification of children with difficult intravenous access. Pediatr Emerg Care. 2008;24(3):143-7.
  3. Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 679/2021. Normatiza a ultrassonografia realizada por Enfermeiro no ponto de cuidado e no ambiente pré-hospitalar. Brasília: Cofen; 2021.
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