Punção jugular externa pelo Enfermeiro: indicações e técnica

Punção jugular externa pelo Enfermeiro: indicações e técnica

Postado em 11/10/2026

Quando os membros não oferecem uma veia viável e o paciente precisa de acesso, a jugular externa pode ser a alternativa periférica. Entenda quando ela faz sentido e como puncionar com segurança.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA veia jugular externa é uma veia periférica superficial do pescoço, e sua punção para acesso venoso pode ser feita pelo Enfermeiro capacitado, conforme parecer aprovado pelo Plenário do Cofen em 2022. Ela é indicada principalmente quando não há acesso periférico viável nos membros e o paciente precisa de infusão, em especial em urgência. A técnica exige posicionamento adequado, antissepsia, cateter periférico e fixação cuidadosa. As principais complicações são hematoma, infiltração, perda do acesso com a movimentação do pescoço e, mais raramente, embolia gasosa. A punção de veias centrais, como a jugular interna, não é atribuição do Enfermeiro.

Anatomia que o Enfermeiro precisa conhecer

A jugular externa nasce próximo ao ângulo da mandíbula, desce cruzando superficialmente o músculo esternocleidomastoideo e termina na veia subclávia, acima da clavícula. Por ser superficial e muitas vezes visível, ela é acessível sem ultrassom em grande parte dos pacientes. A jugular interna, por outro lado, é profunda, fica junto à artéria carótida e é acesso central, fora da competência do Enfermeiro.

Essa diferença não é detalhe: a classificação da jugular externa como veia periférica é justamente o fundamento usado pelo Cofen para reconhecer a competência do Enfermeiro para puncioná-la.

Quando indicar e quando evitar

Indicações mais comunsSituações que pedem cautela ou contraindicam
Ausência de veia periférica viável nos membrosSuspeita de lesão cervical em que a mobilização do pescoço não é permitida
Urgência com necessidade de infusão rápida, enquanto outro acesso é providenciadoInfecção, queimadura ou lesão de pele no local
Pacientes com edema, obesidade ou rede venosa esgotada nos membrosVeia não visível nem palpável
Situações definidas no protocolo da instituiçãoPaciente agitado que não permite a técnica com segurança; distúrbio de coagulação importante, conforme avaliação

Em uma parada cardiorrespiratória ou choque grave, outras vias como a intraóssea também entram na decisão, conforme o protocolo do serviço. O texto sobre o acesso intraósseo ajuda a comparar as opções.

Técnica passo a passo

  1. Confirme a indicação, explique o procedimento quando o paciente estiver consciente e higienize as mãos.
  2. Posicione o paciente em decúbito dorsal com a cabeceira rebaixada, se não houver contraindicação, para distender a veia e reduzir o risco de entrada de ar.
  3. Gire a cabeça levemente para o lado oposto ao da punção, sem hiperextensão.
  4. Localize a veia sobre o esternocleidomastoideo. Uma leve compressão logo acima da clavícula ajuda a ingurgitá-la, sem garrote no pescoço.
  5. Faça a antissepsia da pele conforme protocolo institucional e use luvas.
  6. Tracione a pele para fixar a veia, que tende a se deslocar, e introduza o cateter periférico com o bisel para cima, no sentido do fluxo, em direção à clavícula.
  7. Ao observar refluxo, avance o cateter e retire o mandril, evitando que o canhão fique aberto para o ar.
  8. Conecte o sistema previamente preenchido, teste com solução fisiológica e observe sinais de infiltração.
  9. Fixe com cobertura estéril transparente, acomodando o equipo para que a movimentação do pescoço não tracione o cateter.
  10. Registre local, calibre, número de tentativas, intercorrências e a resposta do paciente.

Treinar essa sequência com simulação e supervisão reduz tentativas e complicações. A Habilitação em Punção Jugular do Grupo Nobre trata da anatomia, das indicações, da técnica e da manutenção do acesso.

Complicações e como preveni-las

  • Hematoma: evite múltiplas tentativas e comprima o local após punção sem sucesso.
  • Infiltração e extravasamento: a veia é curta e o pescoço se movimenta muito. Avalie o local com frequência, principalmente ao infundir soluções irritantes.
  • Perda do acesso: fixação inadequada e mudança de decúbito deslocam o cateter. Reavalie após cada mobilização.
  • Embolia gasosa: é rara, mas grave. Posição adequada, sistema sem ar e conexões firmes são a prevenção.
  • Punção arterial acidental: é incomum na jugular externa por ser superficial, mas a punção profunda e sem visualização aumenta o risco. Retire o cateter e comprima se houver sangue vermelho vivo e pulsátil.
  • Flebite e infecção: mantenha técnica asséptica, cobertura íntegra e avaliação diária da necessidade do acesso.

Perguntas frequentes

O técnico de enfermagem pode puncionar a jugular externa?

A publicação do Cofen trata a punção da jugular externa como atividade do Enfermeiro. Consulte o protocolo da instituição e as orientações do Coren do seu estado.

A jugular externa é acesso central?

Não. Ela é veia periférica. Só se torna acesso central quando um cateter longo é posicionado com a ponta em veia central, o que é outro procedimento.

Preciso de ultrassom para puncionar?

Na maioria dos casos a veia é visível, mas o ultrassom pode ajudar em pacientes com pescoço curto ou edema, desde que o Enfermeiro tenha capacitação em ultrassonografia.

Quanto tempo o acesso pode ficar?

Siga o protocolo institucional para cateteres periféricos e reavalie diariamente a necessidade de manter o acesso.

Acesso de urgência com técnica segura

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Referências

  1. Conselho Federal de Enfermagem. Punção de veia jugular externa é privativa do enfermeiro. Brasília: Cofen; 2022.
  2. Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem. Diário Oficial da União; 1986.
  3. Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285.
  4. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. 2ª ed. Brasília: Anvisa; 2017. (Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde).
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