Diabético com lesão nos membros inferiores: cuidado integral

Diabético com lesão nos membros inferiores: cuidado integral

Postado em 11/10/2026

A ferida no pé de uma pessoa com diabetes raramente é só uma ferida. Ela reflete neuropatia, circulação, controle glicêmico e hábitos de vida, e o cuidado precisa olhar para tudo isso ao mesmo tempo.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA assistência de enfermagem ao paciente diabético com lesão nos membros inferiores começa por identificar a causa da ferida: neuropática, isquêmica ou mista, com ou sem infecção. A avaliação inclui sensibilidade protetora com monofilamento de 10 g, pulsos e índice tornozelo-braquial, sinais de infecção e profundidade da lesão, além do controle glicêmico e de comorbidades. O tratamento combina alívio da pressão sobre a úlcera, cuidado local da ferida, encaminhamento rápido em caso de isquemia ou infecção grave e educação para o autocuidado. O Enfermeiro coordena esse cuidado dentro de uma equipe multiprofissional, conforme as diretrizes do IWGDF e a Resolução Cofen nº 787/2025.

Por que pensar no paciente, e não só na ferida

O rastreamento e a prevenção do pé diabético estão detalhados no post Pé diabético: avaliação e cuidados de enfermagem. Este texto trata do momento seguinte: quando a lesão já existe. Nessa fase, cobertura certa sem controle da causa não cicatriza. Uma úlcera plantar neuropática não fecha se o paciente continua pisando sobre ela, e uma lesão isquêmica não evolui se o fluxo sanguíneo não for avaliado.

Por isso, a consulta de enfermagem precisa responder a algumas perguntas antes de escolher qualquer produto: qual é a causa da lesão, há isquemia, há infecção, como está a glicemia, quem cuida do paciente em casa e que calçado ele usa.

Avaliação integral em quatro eixos

EixoO que avaliarSinal de alerta
NeuropatiaSensibilidade protetora com monofilamento de 10 g, deformidades, calosidades, pele secaÚlcera indolor em área de pressão, pé de Charcot
IsquemiaPulsos pediosos e tibiais posteriores, índice tornozelo-braquial, enchimento capilar, temperaturaPulsos ausentes, dor em repouso, lesão em extremidades de dedos
InfecçãoEritema, calor, edema, dor, secreção purulenta, odor, contato com osso à sondagemSinais sistêmicos, celulite extensa, crepitação
Condição geralControle glicêmico, função renal, tabagismo, estado nutricional, visão, apoio familiarHiperglicemia persistente, desnutrição, isolamento social

Na lesão, registre localização, tamanho, profundidade, tecido do leito, exsudato, bordas e pele ao redor, com foto quando houver protocolo. A avaliação sistemática pelo acrônimo TIME ajuda a padronizar esse registro.

Neuropatia, isquemia e infecção: o que muda no cuidado

Úlcera neuropática. O pilar é o alívio da pressão (offloading). As diretrizes do IWGDF de 2023 indicam dispositivos de descarga até o joelho e não removíveis, como a bota gessada de contato total, como primeira escolha para úlceras plantares neuropáticas do antepé e do mediopé, quando não houver contraindicação. Remoção de calosidade e desbridamento de tecido desvitalizado, dentro da competência e da capacitação do Enfermeiro, também fazem parte do cuidado.

Doença arterial periférica. Pulsos ausentes ou índice tornozelo-braquial alterado exigem avaliação vascular. O índice pode estar falsamente elevado em pacientes com artérias calcificadas, comum no diabetes, e nesse caso outros exames são necessários. Desbridamento agressivo e compressão estão contraindicados em lesão isquêmica sem avaliação vascular.

Infecção. O diagnóstico é clínico e a gravidade é classificada pelo sistema IWGDF/IDSA. Infecção moderada ou grave, suspeita de osteomielite ou sinais sistêmicos exigem avaliação médica no mesmo dia. O Enfermeiro coleta material para cultura conforme protocolo, por técnica adequada e nunca com swab superficial de ferida não limpa.

Educação e autocuidado

  • Inspecionar os pés todos os dias, com espelho ou ajuda de um familiar.
  • Não andar descalço, nem em casa, e usar calçado adequado ao formato do pé.
  • Seguir o plano de alívio de pressão, mesmo quando a ferida não dói.
  • Manter o controle glicêmico e o acompanhamento com a equipe de saúde.
  • Procurar o serviço ao notar febre, piora do odor, aumento da vermelhidão ou dor nova.

Coordenar avaliação, tratamento local, encaminhamentos e educação exige formação específica. O curso de Assistência de Enfermagem ao Paciente Diabético com Lesão nos Membros Inferiores do Grupo Nobre trabalha esse cuidado integral, com base nas diretrizes atuais.

Perguntas frequentes

Toda ferida no pé do diabético é infectada?

Não. O diagnóstico de infecção é clínico, baseado em sinais inflamatórios e secreção purulenta. Antibiótico sem infecção não acelera a cicatrização.

Por que a ferida não cicatriza mesmo com boa cobertura?

As causas mais comuns são pressão contínua sobre a lesão, isquemia não tratada, infecção não reconhecida e hiperglicemia persistente.

Quando encaminhar com urgência?

Diante de sinais sistêmicos de infecção, celulite extensa, suspeita de osteomielite, isquemia grave, gangrena ou suspeita de pé de Charcot agudo.

Cuidado integral ao diabético com lesão

Avaliação, alívio de pressão, tratamento local e educação para o autocuidado.

Conhecer o curso

Referências

  1. Schaper NC, van Netten JJ, Apelqvist J, Bus SA, Fitridge R, Game F, et al. Practical guidelines on the prevention and management of diabetes-related foot disease (IWGDF 2023 update). Diabetes Metab Res Rev. 2024;40(3):e3657.
  2. Senneville É, Albalawi Z, van Asten SA, Abbas ZG, Allison G, Aragón-Sánchez J, et al. IWGDF/IDSA guidelines on the diagnosis and treatment of diabetes-related foot infections (IWGDF/IDSA 2023). Diabetes Metab Res Rev. 2024;40(3):e3687.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Manual do pé diabético: estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica. Brasília: Ministério da Saúde; 2016.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental.
  5. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 787/2025. Atuação da equipe de enfermagem em lesões cutâneas.
Nós usaremos cookies para melhorar e personalizar sua experiência.