Tipos de estomias: intestinais, urinárias e outras
Postado em 11/10/2026
Colostomia, urostomia, gastrostomia e traqueostomia têm em comum a abertura cirúrgica que comunica um órgão com o meio externo. Os cuidados, porém, mudam bastante de um tipo para outro.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaEstomia é a abertura cirúrgica de um órgão oco para o meio externo, temporária ou definitiva. Os grupos principais são as estomias intestinais (colostomia e ileostomia), urinárias (urostomia, nefrostomia e cistostomia), de alimentação (gastrostomia e jejunostomia) e respiratórias (traqueostomia). Os cuidados comuns a todas incluem avaliar o estoma e a pele ao redor, escolher e fixar corretamente o dispositivo, prevenir complicações e preparar a pessoa e a família para o autocuidado. No SUS, a Portaria SAS/MS nº 400/2009 organiza a atenção às pessoas ostomizadas.
O que é uma estomia
O termo vem do grego stoma, boca ou abertura. A estomia recebe o nome do órgão exteriorizado: colo vira colostomia, íleo vira ileostomia, estômago vira gastrostomia, traqueia vira traqueostomia. Pode ser feita para eliminação (fezes, urina), para alimentação ou para ventilação, e pode ser temporária, para proteger uma anastomose ou permitir um tratamento, ou definitiva.
Os quatro grupos de estomias
| Grupo | Exemplos | O que sai ou entra | Dispositivo usual |
|---|---|---|---|
| Intestinais | Colostomia, ileostomia | Fezes, de pastosas a líquidas conforme o segmento | Bolsa coletora de uma ou duas peças, drenável ou fechada |
| Urinárias | Urostomia (conduto ileal), nefrostomia, cistostomia | Urina, em fluxo contínuo | Bolsa para urostomia com válvula antirrefluxo; cateteres nas demais |
| De alimentação | Gastrostomia, jejunostomia | Dieta, água e medicamentos | Sonda com balão ou anteparo, ou botton de baixo perfil |
| Respiratórias | Traqueostomia | Ar | Cânula com ou sem balonete, com ou sem cânula interna |
Estomias intestinais e urinárias
Na colostomia, quanto mais distal o segmento, mais formadas são as fezes. Na ileostomia, o efluente é líquido a pastoso, rico em enzimas e em volume maior, o que aumenta o risco de dermatite periestoma e de desidratação. O detalhamento de bolsas, recorte e complicações está no post Cuidados com estomias intestinais.
Na urostomia, a urina sai continuamente, por isso a bolsa precisa de válvula antirrefluxo e torneira de esvaziamento, e à noite costuma ser conectada a um coletor de maior volume. Muco na urina é esperado quando o conduto é feito com segmento intestinal. Nefrostomia e cistostomia usam cateteres: os cuidados envolvem fixação, permeabilidade, curativo de inserção e registro do débito.
Estomias de alimentação e respiratórias
Na gastrostomia e na jejunostomia, os cuidados centrais são manter o local limpo e seco, conferir a fixação e a posição da sonda, lavar a sonda com água antes e depois de dietas e medicamentos e observar vazamento, granuloma e sinais de infecção. Medicamentos devem ser administrados um de cada vez, na forma adequada para sonda, conforme orientação farmacêutica. A diretriz da ESPEN sobre nutrição enteral domiciliar reúne recomendações sobre cuidados com o estoma e prevenção de complicações.
Na traqueostomia, o foco é manter a via aérea pérvia e segura: umidificação, aspiração quando necessária, limpeza da cânula interna, troca do curativo e da fixação com dois profissionais, controle da pressão do balonete quando houver e kit de emergência sempre disponível, com cânula reserva do mesmo tamanho e um número menor. O consenso clínico da American Academy of Otolaryngology sobre cuidados com traqueostomia é referência frequente para protocolos.
Para aprofundar os quatro grupos com casos práticos, o Grupo Nobre oferece o curso Estomias, voltado ao cuidado de enfermagem em hospital, ambulatório e domicílio.
Cuidados gerais a qualquer estomia
- Avalie o estoma: cor, umidade, tamanho, altura em relação à pele e função. Em estomas de eliminação, o esperado é mucosa rosada a vermelha e úmida.
- Proteja a pele ao redor: dermatite, maceração e lesão por adesivo são complicações frequentes e evitáveis.
- Ajuste o dispositivo: bolsa recortada no tamanho do estoma, sonda bem fixada, cânula estável.
- Reconheça complicações: necrose, retração, prolapso, hérnia, estenose, deslocamento de sonda ou de cânula.
- Eduque para o autocuidado: comece antes da alta, com prática supervisionada da pessoa e do cuidador.
- Cuide da dimensão emocional: a estomia altera a imagem corporal, a sexualidade e a vida social. Escuta e encaminhamento para apoio fazem parte do plano.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre colostomia e ileostomia?
A colostomia exterioriza o intestino grosso, e as fezes tendem a ser mais formadas. A ileostomia exterioriza o íleo, com efluente líquido, mais volumoso e mais agressivo para a pele.
Gastrostomia é considerada estomia?
Sim. É uma estomia de alimentação, assim como a jejunostomia.
A pessoa com estomia pode tomar banho e praticar atividade física?
Na maioria dos casos, sim, com orientação sobre proteção do dispositivo e retorno gradual às atividades conforme a liberação da equipe.
Intestinais, urinárias, de alimentação e respiratórias, com foco no autocuidado.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria nº 400, de 16 de novembro de 2009. Diretrizes Nacionais para a Atenção à Saúde das Pessoas Ostomizadas no âmbito do SUS.
- Brasil. Ministério da Saúde. Guia de atenção à saúde da pessoa com estomia. Brasília: Ministério da Saúde; 2021.
- Brasil. Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nº 10.048/2000 e nº 10.098/2000.
- Bischoff SC, Austin P, Boeykens K, Chourdakis M, Cuerda C, Jonkers-Schuitema C, et al. ESPEN guideline on home enteral nutrition. Clin Nutr. 2020;39(1):5-22.
- Mitchell RB, Hussey HM, Setzen G, Jacobs IN, Nussenbaum B, Dawson C, et al. Clinical consensus statement: tracheostomy care. Otolaryngol Head Neck Surg. 2013;148(1):6-20.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Implementação do Processo de Enfermagem.
