Gerente de enfermagem: primeiros passos ao assumir o cargo

Gerente de enfermagem: primeiros passos ao assumir o cargo

Postado em 11/10/2026

Assumir a gerência muda o foco do cuidado de um paciente para o funcionamento de um serviço inteiro. Este guia organiza os primeiros 90 dias do Enfermeiro gestor, com base na lei do exercício profissional e nas normas do Cofen.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA direção do órgão de enfermagem e a chefia de serviço e de unidade são atividades privativas do Enfermeiro, previstas no art. 11 da Lei nº 7.498/1986. Nos primeiros meses, o novo gerente deve fazer um diagnóstico do serviço, confirmar a situação do Responsável Técnico e da Certidão de Responsabilidade Técnica no Coren, revisar o dimensionamento e as escalas, escolher poucos indicadores para acompanhar e conhecer a equipe individualmente.

Gerente, coordenador e Responsável Técnico: quem é quem

Os nomes dos cargos variam entre instituições, mas as funções costumam se dividir assim. O gerente ou diretor de enfermagem responde pelo serviço de enfermagem como um todo, participa do planejamento estratégico e negocia recursos com a direção. O coordenador ou chefe de unidade cuida de um setor específico. O Enfermeiro Responsável Técnico (ERT) é quem responde perante o Coren pelo serviço de enfermagem, com Anotação de Responsabilidade Técnica registrada e Certidão de Responsabilidade Técnica (CRT) afixada.

Em instituições pequenas, a mesma pessoa pode acumular gerência e responsabilidade técnica. Em instituições maiores, os papéis costumam ser separados. Logo na primeira semana, pergunte formalmente: quem é o ERT hoje, qual a validade da CRT e se haverá transferência dessa responsabilidade para você.

Os primeiros 30 dias: ouvir e diagnosticar

O erro mais comum de quem assume uma gerência é mudar escalas, rotinas e lideranças antes de entender por que as coisas funcionam como funcionam. Use o primeiro mês para levantar dados.

  • Estrutura: número de leitos e setores, perfil dos pacientes, quadro de pessoal por categoria e turno, vagas abertas, afastamentos.
  • Documentos: regimento do serviço de enfermagem, POPs e protocolos vigentes, Plano de Segurança do Paciente, registros de educação permanente, relatórios de fiscalização do Coren e da vigilância sanitária.
  • Resultados: indicadores que já existem, notificações de eventos adversos, reclamações da ouvidoria, absenteísmo e rotatividade.
  • Pessoas: conversas individuais com coordenadores e encarregados, visitas aos setores em todos os turnos, inclusive o noturno e o fim de semana.

Os dias 31 a 90: priorizar e combinar metas

Com o diagnóstico em mãos, escolha de três a cinco prioridades e apresente-as à direção com dados. Uma boa prioridade é concreta e mensurável: regularizar a CRT, corrigir o déficit de pessoal de um setor, implantar o Processo de Enfermagem em todas as unidades ou reduzir quedas em uma clínica específica.

ÁreaPergunta-chaveOnde buscar a resposta
LegalO serviço está regular no Coren?Registro de empresa, CRT, inscrição de todos os profissionais
PessoalO quadro cobre a demanda real?Classificação de pacientes, cálculo de dimensionamento, escalas
QualidadeOs danos evitáveis estão sendo medidos?Notificações, indicadores, auditorias de prontuário
AssistênciaO Processo de Enfermagem é registrado?Prontuários, Res. Cofen nº 736/2024
PessoasQuem está sobrecarregado ou prestes a sair?Absenteísmo, rotatividade, conversas individuais

Dimensionamento e escalas

O cálculo do quadro de pessoal é atribuição do Enfermeiro. A Resolução Cofen nº 543/2017 foi revogada pela Resolução Cofen nº 743/2024, e o tema hoje é orientado pelo Parecer Normativo nº 1/2024 do Cofen, que trata do planejamento da força de trabalho de enfermagem pelo Enfermeiro. Na prática, o gestor continua usando o Sistema de Classificação de Pacientes e as horas de cuidado para mostrar à direção, com números, quantos profissionais cada unidade exige. Veja o passo a passo no nosso guia de dimensionamento de pessoal.

As escalas são o ponto onde a gestão mais aparece para a equipe. Revise se respeitam intervalos legais, se distribuem de forma equilibrada noites, fins de semana e feriados e se mantêm a proporção de Enfermeiros por turno.

Indicadores: comece com poucos

Não tente medir tudo no primeiro trimestre. Escolha indicadores de três tipos: de estrutura (horas de enfermagem por paciente, proporção de Enfermeiros), de processo (adesão à higiene das mãos, registro completo do Processo de Enfermagem) e de resultado (quedas, lesão por pressão, infecção de corrente sanguínea associada a cateter). Defina a fórmula, a fonte do dado, a periodicidade e quem coleta. O artigo sobre indicadores de qualidade em enfermagem detalha as fórmulas.

Pessoas: a parte que define o resultado

O gerente depende de coordenadores e supervisores para que qualquer decisão chegue ao turno da noite. Invista nessa camada intermediária: reuniões curtas e regulares, metas combinadas por escrito, autonomia para resolver problemas locais e feedback frequente. Trate conflitos cedo, com escuta das partes, e documente acordos.

Perguntas frequentes

Todo gerente de enfermagem precisa ser Responsável Técnico?

Não necessariamente. Toda organização com serviço de enfermagem precisa de pelo menos um ERT, mas a gerência e a responsabilidade técnica podem ser exercidas por pessoas diferentes, conforme a estrutura da instituição.

Técnico de Enfermagem pode ser gerente de enfermagem?

Não. A direção do órgão de enfermagem e a chefia de serviço e de unidade de enfermagem são privativas do Enfermeiro, segundo o art. 11 da Lei nº 7.498/1986.

Preciso de pós-graduação para assumir a gerência?

A lei não exige, mas muitas instituições pedem especialização em gestão ou gerenciamento no processo seletivo. A formação ajuda a lidar com custos, indicadores, dimensionamento e liderança de equipes.

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Dimensionamento, indicadores, qualidade e liderança de equipes fazem parte da formação no MBA em Gerenciamento em Enfermagem do Grupo Nobre.

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Referências

  1. Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e dá outras providências.
  2. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 782, de 2 de julho de 2025. Anotação de Responsabilidade Técnica e atribuições do Enfermeiro Responsável Técnico.
  3. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 743, de 12 de março de 2024. Revoga a Resolução Cofen nº 543/2017.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem.
  5. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde.
  6. Kurcgant P, coordenadora. Gerenciamento em enfermagem. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016.
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