Pré-natal de baixo risco: consulta de enfermagem passo a passo
Postado em 11/10/2026
Um roteiro prático, baseado nas normas do Ministério da Saúde e na Lei do Exercício Profissional, para conduzir a consulta de enfermagem da gestante de risco habitual na Atenção Primária.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaO Enfermeiro pode acompanhar integralmente o pré-natal de baixo risco, intercalando consultas com o médico. A Rede Alyne (Portaria GM/MS nº 5.350/2024) prevê captação da gestante até a 12ª semana e no mínimo sete consultas intercaladas entre Enfermeiros e médicos. Cada consulta segue o Processo de Enfermagem: avaliação, diagnóstico, planejamento, implementação e evolução, com registro no prontuário e na Caderneta da Gestante. A cada encontro, o Enfermeiro reavalia o risco e encaminha ao pré-natal de alto risco quando surgem sinais que fogem da sua competência.
Base legal da consulta de enfermagem no pré-natal
A Lei nº 7.498/1986 define a consulta de enfermagem como atividade privativa do Enfermeiro e inclui, entre as ações do Enfermeiro como integrante da equipe de saúde, a assistência de enfermagem à gestante, parturiente e puérpera e a prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada pela instituição. A Resolução Cofen nº 195/1997 autoriza o Enfermeiro a solicitar exames de rotina e complementares no exercício de suas atividades, e a Resolução Cofen nº 736/2024 organiza a consulta nas cinco etapas do Processo de Enfermagem.
Na prática, o que o Enfermeiro solicita e prescreve no pré-natal depende do protocolo aprovado pelo município ou pela instituição. Por isso, conhecer o protocolo local é o primeiro passo.
Primeira consulta: o que não pode faltar
- Confirmação da gestação e idade gestacional. Teste rápido ou beta-hCG, data da última menstruação (DUM), cálculo da idade gestacional e da data provável do parto. Na dúvida sobre a DUM, a ultrassonografia ajuda a datar a gestação.
- Anamnese completa. Dados sociodemográficos, antecedentes pessoais e familiares, história obstétrica (gestações, partos, abortos, intervalo interpartal), uso de medicamentos, tabagismo, álcool e outras substâncias, situação vacinal e rede de apoio. Investigue também sinais de violência de forma reservada.
- Exame físico geral e obstétrico. Peso, altura e índice de massa corporal, pressão arterial com técnica correta, avaliação de edema, exame das mamas e, conforme a idade gestacional, altura uterina e ausculta dos batimentos cardiofetais.
- Exames e testes rápidos. Solicitação dos exames de rotina previstos no protocolo, como hemograma, tipagem sanguínea e fator Rh, glicemia de jejum, urina e urocultura, sorologias e testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C.
- Suplementação. Ácido fólico e sulfato ferroso conforme o Programa Nacional de Suplementação de Ferro e protocolo local. A Nota Técnica Conjunta nº 251/2024 do Ministério da Saúde recomenda suplementação de cálcio para todas as gestantes a partir da 12ª semana até o parto, para prevenção de distúrbios hipertensivos.
- Vacinação. Conferência da caderneta e atualização conforme o calendário vigente do Programa Nacional de Imunizações.
- Classificação de risco gestacional. Registre os fatores de risco encontrados e defina se a gestante segue no risco habitual ou precisa de referência.
Consultas subsequentes: o roteiro de cada encontro
| Etapa | O que avaliar |
|---|---|
| Escuta | Queixas, movimentação fetal, sangramento, perda de líquido, cefaleia, alterações visuais, sintomas urinários |
| Medidas | Peso e ganho ponderal, pressão arterial, altura uterina comparada à curva esperada, batimentos cardiofetais |
| Exames | Resultados pendentes, repetição de sorologias e da glicemia ou do teste oral de tolerância à glicose no período indicado |
| Plano | Orientações para a fase da gestação, sinais de alerta, preparo para o parto e o aleitamento, retorno agendado |
Ao longo do terceiro trimestre, inclua a construção do plano de parto, a vinculação à maternidade de referência e as orientações sobre trabalho de parto, direito ao acompanhante e cuidados com o recém-nascido.
Quando encaminhar ao pré-natal de alto risco
A reavaliação do risco é contínua. Pressão arterial elevada, alterações glicêmicas, sangramento vaginal, restrição ou excesso de crescimento uterino, infecções de difícil controle, doenças maternas prévias e alterações nos exames são exemplos de achados que exigem avaliação médica e, muitas vezes, referência para o ambulatório especializado. A Rede Alyne prevê, para o pré-natal de alto risco, no mínimo doze consultas com equipe multiprofissional. Mesmo após a referência, a gestante continua vinculada à equipe da Atenção Primária.
Perguntas frequentes
O Enfermeiro pode fazer o pré-natal sozinho?
No baixo risco, o Enfermeiro pode conduzir as consultas de enfermagem de forma autônoma, intercalando com as consultas médicas previstas pela Rede Alyne e pelo protocolo local.
Quantas consultas de pré-natal são recomendadas?
A Portaria GM/MS nº 5.350/2024 prevê no mínimo sete consultas no pré-natal de risco habitual, com captação até a 12ª semana.
O Enfermeiro pode prescrever medicamentos no pré-natal?
Sim, os previstos em programas de saúde pública e em protocolo aprovado pela instituição, como ácido fólico e sulfato ferroso. Medicamentos fora do protocolo exigem prescrição médica.
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Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 5.350, de 12 de setembro de 2024. Altera a Portaria de Consolidação GM/MS nº 3/2017 para dispor sobre a Rede Alyne.
- Brasil. Ministério da Saúde. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Ministério da Saúde; 2012. (Cadernos de Atenção Básica, n. 32).
- Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Implementação do Processo de Enfermagem.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 195/1997. Solicitação de exames de rotina e complementares por Enfermeiro.
- Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 251/2024-COEMM/CGESMU/DGCI/SAPS/MS e CGAN/DEPPROS/SAPS/MS. Suplementação de cálcio na gestação.
