Partograma: como preencher e interpretar
Postado em 11/10/2026
O partograma é a representação gráfica do trabalho de parto. Bem preenchido, ajuda a equipe a reconhecer cedo uma evolução fora do esperado e a decidir com base em dados, e não em pressa.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaO partograma é aberto quando a parturiente está na fase ativa do trabalho de parto e registra, em um mesmo gráfico, dilatação cervical, altura da apresentação, batimentos cardiofetais, contrações, estado da bolsa e do líquido amniótico, sinais vitais maternos, medicamentos e intervenções. No modelo clássico, a linha de alerta e a linha de ação ficam separadas por 4 horas. A Organização Mundial da Saúde revisou esse modelo em 2020 com o Labour Care Guide, que não usa a velocidade de 1 cm por hora como gatilho de intervenção. Acompanhar a evolução do trabalho de parto é atribuição do Enfermeiro prevista na Lei nº 7.498/1986.
Para que serve o partograma
O partograma permite visualizar, de forma rápida, como o trabalho de parto está evoluindo e se mãe e bebê estão bem. Ele facilita a comunicação entre plantões, documenta o cuidado prestado e ajuda a identificar distócias, sofrimento fetal e alterações maternas a tempo. A Lei nº 7.498/1986 inclui o acompanhamento da evolução e do trabalho de parto entre as ações do Enfermeiro, e a Enfermeira obstétrica tem, além disso, competência para assistir ao parto normal e identificar distócias, tomando providências até a chegada do médico.
Quando abrir o partograma
O registro começa na fase ativa do trabalho de parto, e não na admissão de qualquer gestante com contrações. As recomendações da OMS de 2018 sobre cuidados intraparto consideram fase ativa o período com contrações dolorosas e regulares, apagamento importante do colo e dilatação mais rápida a partir de 5 cm. Abrir o partograma na fase latente tende a gerar a falsa impressão de parto prolongado e intervenções desnecessárias.
O que registrar, campo a campo
| Campo | Como registrar |
|---|---|
| Identificação | Nome, prontuário, paridade, data e hora de abertura, hora da rotura das membranas, se houver |
| Dilatação cervical | Marcada após cada toque, no horário correspondente; o primeiro ponto da fase ativa é colocado sobre a linha de alerta |
| Altura da apresentação | Planos de De Lee, registrados no mesmo horário da dilatação |
| Variedade de posição | Registrada no toque, quando identificável |
| Batimentos cardiofetais | Ausculta intermitente com sonar Doppler ou Pinard, antes, durante e após a contração, nos intervalos do protocolo |
| Contrações | Número em 10 minutos e duração, com convenção gráfica para intensidade |
| Bolsa e líquido | Íntegra, rota ou amniotomia; líquido claro, meconial ou sanguinolento |
| Sinais vitais maternos | Pressão arterial, pulso e temperatura nos intervalos do protocolo |
| Medicamentos e fluidos | Ocitocina com dose e horário, analgesia, soluções venosas |
| Responsável | Nome e registro de quem avaliou |
A ausculta dos batimentos cardiofetais na fase ativa costuma ser feita a cada 30 minutos e, no período expulsivo, com maior frequência, conforme a Diretriz Nacional de Assistência ao Parto Normal e o protocolo da maternidade. O toque vaginal deve ser feito nos intervalos recomendados ou quando houver indicação clínica, evitando exames repetidos sem necessidade.
Como interpretar as linhas de alerta e de ação
- Curva à esquerda da linha de alerta: evolução dentro do esperado.
- Curva cruzando a linha de alerta: sinal para reavaliar com mais atenção, investigando contrações, posição fetal, hidratação, posição materna e bexiga.
- Curva atingindo a linha de ação: indica necessidade de avaliação médica e decisão sobre conduta, sem que isso signifique automaticamente uma intervenção.
Os padrões mais descritos são a fase ativa prolongada, a parada secundária da dilatação, o período expulsivo prolongado e a parada secundária da descida. Reconhecer esses padrões exige registro fiel e em tempo real.
O que mudou com o Labour Care Guide
Em dezembro de 2020, a OMS lançou o Labour Care Guide, que revisa e substitui o partograma tradicional da organização. Ele parte da constatação de que não há evidência para usar a dilatação de 1 cm por hora como gatilho de intervenção e adota faixas de referência de duração por centímetro de dilatação. O instrumento também inclui o registro de cuidados de suporte, como presença de acompanhante, alívio da dor, ingestão oral e posição materna. Cada serviço deve definir, em protocolo, qual modelo utiliza.
Perguntas frequentes
O partograma é obrigatório?
As diretrizes brasileiras de assistência ao parto recomendam o registro gráfico da evolução do trabalho de parto, e os serviços costumam exigir o partograma no prontuário. Confira o protocolo da sua maternidade.
Cruzar a linha de alerta significa cesariana?
Não. A linha de alerta pede reavaliação. Mesmo a linha de ação indica necessidade de avaliação e decisão, e não uma conduta automática.
Enfermeiro generalista pode preencher o partograma?
Sim. O acompanhamento da evolução do trabalho de parto é atribuição do Enfermeiro prevista na Lei nº 7.498/1986. A assistência ao parto normal é competência da Enfermeira obstétrica e da obstetriz.
Preenchimento, interpretação e tomada de decisão no trabalho de parto na Habilitação em Partograma do Grupo Nobre.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria SAS/MS nº 353, de 14 de fevereiro de 2017. Aprova as Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal.
- World Health Organization. WHO recommendations: intrapartum care for a positive childbirth experience. Geneva: WHO; 2018.
- World Health Organization. WHO Labour Care Guide: user's manual. Geneva: WHO; 2020.
- Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 516/2016, alterada pelas Resoluções Cofen nº 524/2016 e nº 672/2021.
