História da enfermagem no Brasil: escolas, leis e conquistas

História da enfermagem no Brasil: escolas, leis e conquistas

Postado em 11/10/2026

Uma linha do tempo das escolas, leis e instituições que transformaram o cuidado em profissão regulamentada no país.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA enfermagem profissional brasileira começa com a escola criada em 1890 junto ao Hospício Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro, e se consolida com a escola do Departamento Nacional de Saúde Pública, fundada em 1923 no modelo nightingaleano e depois chamada Escola Anna Nery. Em 1926 surge a Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn). O exercício profissional foi regulado por lei em 1955 e atualizado pela Lei nº 7.498/1986, ainda vigente. Os conselhos de fiscalização, Cofen e Corens, foram criados pela Lei nº 5.905/1973.

Antes da profissão: cuidado religioso e leigo

No Brasil colonial e imperial, o cuidado aos doentes era feito principalmente por religiosos, nas Santas Casas de Misericórdia, por pessoas escravizadas e por cuidadores leigos, sem formação sistemática. Saberes indígenas e africanos sobre plantas e cuidado do corpo também faziam parte desse cenário, embora pouco registrados na história oficial.

No século XIX, a figura de Anna Nery, voluntária na Guerra do Paraguai, tornou-se símbolo do cuidado no país. A história dela é contada no post Anna Nery e seu legado.

Linha do tempo da enfermagem brasileira

AnoMarco
1890O Decreto nº 791 cria a Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras no Hospício Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro. Hoje ela é a Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, da UNIRIO.
1921Começa a missão de cooperação técnica da Fundação Rockefeller, liderada pela enfermeira estadunidense Ethel Parsons, junto ao Departamento Nacional de Saúde Pública.
1923É fundada a escola de enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública, no modelo nightingaleano, que depois recebe o nome de Escola Anna Nery.
1926Fundação da Associação Brasileira de Enfermagem, em 12 de agosto.
1931Decreto nº 20.109 regula o exercício da enfermagem e estabelece a escola Anna Nery como padrão para as demais.
1932Lançamento da revista que daria origem à Revista Brasileira de Enfermagem (REBEn).
1937A Escola Anna Nery é incorporada à Universidade do Brasil, atual UFRJ.
1955A Lei nº 2.604 regula o exercício da enfermagem profissional.
1973A Lei nº 5.905 cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Enfermagem.
1986A Lei nº 7.498 dispõe sobre o exercício da enfermagem, regulamentada pelo Decreto nº 94.406/1987.
1990A Lei nº 8.080 organiza o SUS, que amplia de forma decisiva o campo de atuação da enfermagem.

A influência do modelo nightingaleano

A missão Parsons trouxe ao Brasil o modelo de formação inspirado em Florence Nightingale: seleção rigorosa, internato, ensino teórico e prático e foco inicial em saúde pública, com as visitadoras sanitárias. Esse modelo deu prestígio à profissão, mas também foi criticado por historiadoras brasileiras por priorizar candidatas de determinadas classes sociais e por relegar o saber de quem já cuidava, como as enfermeiras formadas em outras escolas e as práticas populares.

A leitura crítica dessa história é importante. Ela ajuda a entender desigualdades que persistem na profissão, como a divisão entre níveis de formação, as questões de gênero e as de raça. O post sobre Florence e Anna Nery complementa esse tema.

Regulamentação e autonomia profissional

A Lei nº 7.498/1986 definiu as categorias da enfermagem (Enfermeiro, Técnico de Enfermagem, Auxiliar de Enfermagem e Parteira) e as atividades privativas do Enfermeiro, como a consulta de enfermagem e a prescrição da assistência de enfermagem. A partir dela, o Cofen passou a editar resoluções que detalham competências em áreas específicas, como o Processo de Enfermagem, a classificação de risco, a prescrição de medicamentos em protocolos e procedimentos avançados.

Nas décadas seguintes, a expansão da Estratégia Saúde da Família, a criação de programas de pós-graduação stricto sensu e o crescimento das especializações aproximaram a enfermagem da produção científica e da gestão. Temas como piso salarial e jornada de trabalho seguem em disputa e são tratados no post sobre piso da enfermagem e 30 horas.

Por que estudar a história da profissão

  • Identidade: entender de onde vem cada competência ajuda a defender o espaço profissional.
  • Crítica: a história mostra que o modelo atual é resultado de escolhas, e não algo natural.
  • Política: as conquistas legais vieram da organização coletiva, por associações, sindicatos e conselhos.
  • Prova e concurso: história da enfermagem é conteúdo frequente em residências e concursos.

Perguntas frequentes

Qual foi a primeira escola de enfermagem do Brasil?

A escola criada em 1890 no Hospício Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro, hoje Escola de Enfermagem Alfredo Pinto. A escola de 1923, depois chamada Anna Nery, foi a primeira no modelo nightingaleano.

Quando a enfermagem foi regulamentada no Brasil?

Houve regulação em 1931 e lei específica em 1955. A lei atual é a Lei nº 7.498/1986.

Quando foi criado o Cofen?

Em 1973, pela Lei nº 5.905, junto com os Conselhos Regionais.

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Referências

  1. Brasil. Decreto nº 791, de 27 de setembro de 1890. Cria no Hospício Nacional de Alienados uma escola profissional de enfermeiros e enfermeiras.
  2. Brasil. Lei nº 2.604, de 17 de setembro de 1955. Regula o exercício da enfermagem profissional.
  3. Brasil. Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973. Dispõe sobre a criação dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem.
  4. Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem.
  5. Padilha MI, Borenstein MS, Santos I, organizadoras. Enfermagem: história de uma profissão. São Caetano do Sul: Difusão; 2011.
  6. Geovanini T, Moreira A, Schoeller SD, Machado WCA. História da enfermagem: versões e interpretações. Rio de Janeiro: Revinter.
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