Protocolo de inserção de DIU e implante pelo Enfermeiro
Postado em 11/10/2026
Um protocolo bem escrito dá segurança à usuária, ao serviço e ao Enfermeiro. Veja como estruturar o documento para DIU de cobre e implante subdérmico, do critério de elegibilidade ao registro no e-SUS.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaO protocolo de inserção de DIU de cobre e de implante de etonogestrel pelo Enfermeiro deve trazer objetivo, base legal, público, responsáveis, materiais, critérios de elegibilidade, consulta pré-inserção, técnica, cuidados pós-inserção, sinais de alerta, remoção e fluxos de encaminhamento. A base legal é a Resolução Cofen nº 690/2022, com anexo atualizado pela Resolução Cofen nº 802/2026, que exige curso presencial e termo de consentimento. Os critérios de elegibilidade devem seguir a classificação da OMS, cuja 6ª edição foi publicada em novembro de 2025. No SUS, a Nota Técnica Conjunta nº 419/2025 orienta a oferta do implante na Atenção Primária.
Por que o serviço precisa de um protocolo próprio
A Enfermeira capacitada pode inserir, revisar e retirar DIU e implante subdérmico, mas a norma do Cofen não substitui o documento institucional. É o protocolo que diz quem faz, em que local, com quais materiais, quais usuárias são elegíveis e para onde encaminhar quando algo foge do previsto. Ele também ampara a prescrição: pela Resolução Cofen nº 801/2026, o Enfermeiro prescreve medicamentos na consulta de enfermagem com base em protocolos institucionais ou de programas de saúde pública. O protocolo deve ser aprovado pela gestão e pela Responsável Técnica de enfermagem, revisado periodicamente e conhecido por toda a equipe.
Estrutura do documento
Use a tabela abaixo como sumário do documento.
| Seção | O que escrever |
|---|---|
| 1. Objetivo | Ampliar o acesso a métodos de longa duração com segurança e qualidade |
| 2. Base legal | Res. Cofen nº 690/2022 e nº 802/2026, Res. Cofen nº 801/2026, Res. Cofen nº 736/2024 (Processo de Enfermagem), NT Conjunta nº 419/2025 |
| 3. Público | Pessoas em idade reprodutiva que escolhem o método após aconselhamento; para o implante no SUS, de 14 a 49 anos |
| 4. Responsáveis | Enfermeiros e médicos capacitados, com nome e comprovante de curso arquivados |
| 5. Materiais | Lista do kit de inserção, antissépticos, anestésico conforme protocolo, foco de luz, descarte de perfurocortantes |
| 6. Elegibilidade | Transcrição das categorias da OMS para cada método |
| 7. Consulta pré-inserção | Anamnese, exame físico, exclusão de gravidez, aconselhamento, termo de consentimento |
| 8. Técnica | Etapas gerais, assepsia, posição e tempo de observação |
| 9. Pós-inserção | Orientações, retorno, sinais de alerta |
| 10. Remoção | Indicações, técnica, troca imediata quando desejada |
| 11. Encaminhamentos | Casos de categoria 3 ou 4, intercorrências, falha de inserção |
| 12. Registro e indicadores | Prontuário, e-SUS, cartão da usuária, número de inserções e complicações |
Critérios de elegibilidade da OMS no protocolo
Os Critérios Médicos de Elegibilidade para Uso de Anticoncepcionais da OMS, hoje na 6ª edição (2025), classificam cada condição clínica em quatro categorias:
- Categoria 1: sem restrição de uso.
- Categoria 2: em geral, pode usar; os benefícios superam os riscos e pode haver necessidade de seguimento.
- Categoria 3: em geral, não recomendado; os riscos costumam superar os benefícios e o uso exige julgamento clínico e acesso a acompanhamento.
- Categoria 4: o método não deve ser usado.
No protocolo, a regra prática é simples: categorias 1 e 2 seguem para inserção pelo Enfermeiro; categoria 3 é encaminhada para avaliação médica; categoria 4 não insere e oferece outro método. Exemplos de situações que impedem a inserção do DIU de cobre são gravidez, doença inflamatória pélvica atual, cervicite purulenta atual, sangramento vaginal sem causa esclarecida antes da investigação e cavidade uterina distorcida. Para o implante, o câncer de mama atual é exemplo clássico de contraindicação. Como cada edição revisa condições, transcreva a tabela diretamente da 6ª edição e cite a página no protocolo, em vez de copiar listas de terceiros.
Consulta, técnica e cuidados pós-inserção
A consulta de enfermagem segue as etapas do Processo de Enfermagem: histórico com antecedentes ginecológicos e obstétricos, data da última menstruação, uso de medicamentos e preferências; exame físico com exame especular e toque bimanual para o DIU; exclusão razoável de gravidez, com teste rápido em caso de dúvida; e aconselhamento sobre eficácia, efeitos esperados, riscos e duração. O termo de consentimento é obrigatório pela Resolução Cofen nº 802/2026 e deve ser aplicado depois do aconselhamento.
A técnica descrita no protocolo é um roteiro, não um substituto do treinamento prático:
- DIU de cobre: antissepsia, pinçamento do colo, histerometria, inserção conforme o modelo, corte dos fios e observação da usuária antes da liberação. No pós-parto, a inserção ocorre até 48 horas ou depois de quatro semanas, conforme protocolos do SUS.
- Implante de etonogestrel: inserção subdérmica na face interna do braço não dominante, com técnica asséptica, palpação do implante logo após o procedimento pela profissional e pela usuária, e curativo compressivo.
Depois da inserção, oriente sobre efeitos esperados, como alteração do padrão de sangramento, e combine o retorno. No implante, a nota do Ministério da Saúde lembra que o dispositivo pode permanecer até três anos, conforme a bula.
Perguntas frequentes
Preciso de um protocolo para cada método?
Pode ser um documento único com capítulos separados para DIU de cobre e implante, desde que critérios, técnica e seguimento de cada método estejam claros.
Adolescente pode receber o implante sem acompanhante?
A Nota Técnica Conjunta nº 419/2025 trata o acompanhante como direito, não como obrigação, e orienta preservar o sigilo, salvo risco à vida ou à integridade.
O que fazer em condição de categoria 3?
O protocolo deve prever encaminhamento para avaliação médica, porque o uso depende de julgamento clínico e de acompanhamento próximo.
A Habilitação em DIU do Grupo Nobre prepara para a técnica e para o protocolo; o Grupo Nobre também oferece a Habilitação em Implanon.
Referências
- World Health Organization. Medical eligibility criteria for contraceptive use. 6th ed. Geneva: WHO; 2025.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 690/2022, com anexo atualizado pela Resolução Cofen nº 802, de 16 de janeiro de 2026.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 801, de 14 de janeiro de 2026. Diretrizes para a prescrição de medicamentos pelo Enfermeiro.
- Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 419/2025-DGCI/DESCO/SAPS/MS. Implante subdérmico de etonogestrel na Atenção Primária à Saúde.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736/2024. Processo de Enfermagem.
- Prefeitura de São Paulo. Secretaria Municipal da Saúde. Protocolo de inserção de dispositivo intrauterino de cobre (DIU-Cu). São Paulo; 2023.
