Acesso venoso e PAI com ultrassom: habilitação e segurança
Postado em 11/10/2026
Várias tentativas de punção significam dor, hematoma, risco de infecção e atraso no tratamento. O ultrassom muda esse cenário, mas só quando quem segura o transdutor foi treinado para usá-lo.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaO ultrassom permite ver o vaso, avaliar diâmetro, profundidade e permeabilidade e acompanhar a agulha até a luz, o que aumenta a taxa de sucesso e reduz tentativas em pacientes com acesso difícil e na cateterização da artéria radial, segundo revisões sistemáticas. No Brasil, a Resolução Cofen nº 703/2022 torna a punção arterial, para gasometria ou instalação de pressão arterial invasiva (PAI), privativa do Enfermeiro na equipe de enfermagem e permite o uso do ultrassom, e a Resolução Cofen nº 679/2021 exige capacitação específica para a ultrassonografia. A habilitação é o que transforma o equipamento em segurança real para o paciente.
O problema: punção às cegas em paciente difícil
Pacientes obesos, edemaciados, idosos com rede venosa frágil, usuários de quimioterapia e pessoas internadas há muito tempo costumam ter veias e pulsos pouco perceptíveis. Na punção guiada apenas por palpação e inspeção, cada tentativa sem sucesso aumenta o risco de hematoma, lesão de nervo, trombose, infecção e desgaste da rede vascular. No caso da artéria, as tentativas repetidas também provocam espasmo arterial, o que dificulta ainda mais o procedimento.
O que a evidência mostra
- Acesso venoso periférico difícil: revisão sistemática com metanálise publicada no Emergency Medicine Journal encontrou maior sucesso da punção guiada por ultrassom em pacientes com acesso difícil, em comparação com a técnica tradicional.
- Artéria radial: metanálise de ensaios clínicos publicada na revista Chest mostrou maior sucesso na primeira tentativa quando a cateterização da artéria radial foi guiada por ultrassom.
- Diretrizes: os padrões de prática em terapia infusional da Infusion Nurses Society recomendam o uso de tecnologia de visualização vascular, como o ultrassom, quando o acesso é difícil ou após tentativas sem sucesso.
A técnica de cada procedimento está descrita nos textos sobre acesso venoso periférico guiado por ultrassom e sobre punção arterial guiada por ultrassom. Aqui o foco é outro: por que a capacitação faz diferença.
Por que a habilitação faz diferença na segurança
O ultrassom não acerta a punção sozinho. Sem treino, o profissional confunde artéria com veia, perde a ponta da agulha na técnica fora do plano, transfixa o vaso ou escolhe uma veia profunda demais para o comprimento do cateter. Um cateter periférico curto em veia profunda tem grande chance de se deslocar e infiltrar nas horas seguintes, mesmo com punção bem-sucedida.
| Competência | O que evita |
|---|---|
| Ajustar ganho, profundidade e predefinição | Imagens enganosas e vasos mal visualizados |
| Diferenciar artéria e veia por compressibilidade, pulsatilidade e Doppler | Punção arterial acidental em acesso venoso |
| Avaliar diâmetro e profundidade antes de puncionar | Escolha de cateter inadequado e perda precoce do acesso |
| Manter a ponta da agulha visível | Transfixação do vaso e lesão de estruturas vizinhas |
| Montar e zerar o sistema de PAI e analisar a curva | Valores de pressão falsos e decisões erradas |
| Registrar dentro do Processo de Enfermagem | Falta de respaldo e de rastreabilidade |
É esse conjunto, e não apenas a punção, que a Habilitação em Punção Arterial e PAI com USG do Grupo Nobre aborda: anatomia vascular, uso do ultrassom, técnica de punção, montagem do sistema de pressão invasiva e cuidados de manutenção.
Cuidados com a PAI depois da punção
- Nivelar o transdutor de pressão ao eixo flebostático e zerar o sistema conforme protocolo, especialmente após mudança de posição.
- Observar a curva de pressão: curva amortecida ou com ressonância excessiva gera valores pouco confiáveis.
- Avaliar perfusão do membro (cor, temperatura, enchimento capilar) com frequência definida em protocolo.
- Manter conexões firmes e sistema visível, pelo risco de sangramento importante em caso de desconexão.
- Nunca administrar medicamentos pela linha arterial.
- Reavaliar diariamente a necessidade do cateter.
Perguntas frequentes
O ultrassom é obrigatório para a punção arterial?
Não. A norma permite o uso do ultrassom, mas não o torna obrigatório. Ele é especialmente útil em pacientes com pulso fraco, edema ou tentativas anteriores sem sucesso.
Técnico de enfermagem pode fazer a punção arterial?
Não. Dentro da equipe de enfermagem, a punção arterial é privativa do Enfermeiro. O técnico pode participar dos cuidados de manutenção conforme orientação e supervisão do Enfermeiro.
Posso usar o ultrassom sem curso?
A Resolução Cofen nº 679/2021 exige capacitação específica em ultrassonografia. Guarde o certificado com conteúdo e carga horária.
O teste de Allen ainda é necessário?
O teste é usado em muitos protocolos, mas tem limitações conhecidas. Siga o protocolo institucional e lembre que o ultrassom permite avaliar diretamente a artéria antes da punção.
Conheça a habilitação do Grupo Nobre em punção arterial e PAI com ultrassonografia.
Referências
- Egan G, Healy D, O'Neill H, Clarke-Moloney M, Grace PA, Walsh SR. Ultrasound guidance for difficult peripheral venous access: systematic review and meta-analysis. Emerg Med J. 2013;30(7):521-6.
- Shiloh AL, Savel RH, Paulin LM, Eisen LA. Ultrasound-guided catheterization of the radial artery: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Chest. 2011;139(3):524-9.
- Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 703, de 2022. Normatiza a punção arterial pelo Enfermeiro. Brasília: Cofen; 2022.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 679, de 2021. Normatiza a realização de ultrassonografia pelo Enfermeiro. Brasília: Cofen; 2021.
