Exame preventivo: Papanicolau e teste DNA-HPV no SUS

Exame preventivo: Papanicolau e teste DNA-HPV no SUS

Postado em 11/10/2026

O rastreamento do câncer do colo do útero mudou no Brasil em 2025. Entenda o que vale agora, como fazer uma boa coleta e o que o Enfermeiro precisa orientar.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaDesde a Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13/2025, o teste molecular de DNA-HPV oncogênico passou a ser o exame primário de rastreamento do câncer do colo do útero no SUS. Ele é indicado para pessoas com colo do útero de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual, repetido a cada cinco anos após resultado negativo. Onde o teste ainda não está disponível, a citologia (Papanicolau) continua válida, a cada três anos após dois exames normais com intervalo de um ano. No âmbito da equipe de enfermagem, a coleta é atribuição do Enfermeiro (Resolução Cofen nº 381/2011).

O que mudou no rastreamento

Por décadas, o exame citopatológico foi a base do rastreamento no país. Em julho de 2025, o Ministério da Saúde aprovou as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, Parte I, que organizam o rastreamento com testes moleculares para detecção de DNA-HPV oncogênico. O teste identifica a presença do vírus antes que surjam alterações celulares, o que permite intervalos maiores entre os exames quando o resultado é negativo.

AspectoTeste DNA-HPVCitologia (Papanicolau)
Papel atualExame primário de rastreamentoUsado onde o teste molecular ainda não chegou
Faixa etária25 a 64 anos25 a 64 anos
Intervalo após resultado normal5 anos3 anos, após dois exames anuais normais
A partir dos 60 anosCom teste negativo, não há necessidade de repetir periodicamenteEncerra aos 64 anos, após dois exames negativos consecutivos nos últimos cinco anos

Pessoas vivendo com HIV ou imunossuprimidas devem iniciar o rastreamento logo após o início da atividade sexual, seguindo a periodicidade própria de cada teste. Resultados positivos ou alterados seguem o fluxo definido na diretriz, que pode incluir citologia complementar e encaminhamento para colposcopia na atenção secundária.

Antes da coleta: orientações à usuária

  • Explique o objetivo do exame e o que será feito, e obtenha o consentimento.
  • Pergunte sobre a data da última menstruação, gestação, uso de cremes vaginais, duchas e relações sexuais recentes, que podem interferir na amostra, conforme orientação do laboratório.
  • Pergunte sobre o histórico de exames anteriores e resultados, histerectomia e sintomas como sangramento fora do período menstrual.
  • Informe o direito a acompanhante durante o atendimento, garantido pela Lei nº 8.080/1990 com redação da Lei nº 14.737/2023.

A coleta passo a passo

  1. Prepare o material conforme o tipo de exame: espéculo de tamanho adequado, espátula e escova endocervical para citologia convencional, ou o dispositivo e o frasco com meio líquido indicados pelo laboratório para o teste molecular.
  2. Identifique a amostra antes da coleta, com nome completo e dados exigidos na requisição.
  3. Posicione e garanta privacidade. Cubra a usuária, explique cada etapa e respeite pedidos de pausa.
  4. Introduza o espéculo sem lubrificante que interfira na amostra, visualize o colo e observe aspecto, secreções e lesões visíveis.
  5. Colete ectocérvice e endocérvice conforme a técnica do método utilizado. Na citologia convencional, distribua o material na lâmina de forma uniforme e fixe imediatamente.
  6. Retire o espéculo com cuidado, informe como e quando o resultado será entregue e registre o procedimento.

Depois do exame: o seguimento é parte do cuidado

Coletar é só metade do trabalho. O Enfermeiro organiza o recebimento dos resultados, faz busca ativa de quem tem exame alterado ou não retornou e garante o encaminhamento na rede. Registros organizados por faixa etária e data do último exame ajudam a equipe a convidar quem está fora do intervalo recomendado. A vacinação contra o HPV continua sendo a principal estratégia de prevenção primária e não dispensa o rastreamento.

Perguntas frequentes

O Papanicolau vai deixar de existir?

Não. O teste DNA-HPV passa a ser o exame primário, mas a citologia continua sendo usada onde o teste molecular ainda não está disponível e na investigação de resultados positivos, conforme a diretriz.

Quem nunca teve relação sexual precisa fazer o exame?

As diretrizes indicam o rastreamento para pessoas de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual.

Técnico de enfermagem pode coletar o preventivo?

Não. No âmbito da equipe de enfermagem, a coleta é atribuição do Enfermeiro, conforme a Resolução Cofen nº 381/2011.

Quem tomou a vacina contra HPV precisa fazer o rastreamento?

Sim. A vacina não protege contra todos os tipos oncogênicos, e o rastreamento segue indicado na faixa etária recomendada.

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Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13, de 29 de julho de 2025. Aprova as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero: Parte I. Rastreamento organizado utilizando testes moleculares para detecção de DNA-HPV oncogênico.
  2. Instituto Nacional de Câncer. Detecção precoce do câncer do colo do útero. Rio de Janeiro: INCA; 2025 [acesso em 11 out 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/inca
  3. Instituto Nacional de Câncer. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero. 2. ed. Rio de Janeiro: INCA; 2016.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 381/2011. Normatiza a execução, pelo Enfermeiro, da coleta de material para colpocitologia oncótica pelo método de Papanicolaou.
  5. Brasil. Lei nº 14.737/2023. Altera a Lei nº 8.080/1990 para ampliar o direito da mulher de ter acompanhante nos atendimentos.
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