Ultrassom no terceiro trimestre: apresentação, BCF e líquido
Postado em 11/10/2026
No fim da gestação, algumas perguntas simples mudam a conduta: o bebê está cefálico? O coração está batendo em ritmo adequado? Há líquido suficiente? Veja como o Enfermeiro Obstétrico responde a elas com o ultrassom.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaNo terceiro trimestre, o ultrassom focado permite ao Enfermeiro Obstétrico capacitado confirmar a apresentação fetal, documentar a atividade e a frequência cardíaca do feto, estimar o volume de líquido amniótico pelo maior bolsão vertical e localizar a placenta. A diretriz da ISUOG de 2024 prefere o maior bolsão vertical ao índice de líquido amniótico para identificar oligoâmnio isolado. Pela Resolução Cofen nº 627/2020, a ultrassonografia obstétrica é privativa do Enfermeiro Obstétrico na equipe de enfermagem, exige capacitação específica e não permite laudo: os dados vão para o prontuário e são compartilhados com a equipe médica.
Quem pode fazer e em que contexto
A Resolução Cofen nº 627/2020 normatiza a ultrassonografia obstétrica por Enfermeiro Obstétrico registrado no Coren. O anexo da norma prevê capacitação com carga mínima de 120 horas, com pelo menos 100 horas de exames supervisionados, e se refere aos locais de assistência obstétrica no âmbito do Sistema Único de Saúde. Enfermeiros generalistas não estão incluídos. O exame é focado em perguntas assistenciais e não substitui a ultrassonografia diagnóstica feita pelo médico.
1. Apresentação e situação fetal
Com o transdutor convexo em corte transversal logo acima da sínfise púbica, procure o polo cefálico. Em seguida, deslize o transdutor para identificar a coluna e o tórax fetal.
- Cefálica: crânio junto à pelve materna.
- Pélvica: polo pélvico na pelve e crânio no fundo uterino.
- Situação transversa: crânio em um dos flancos maternos, com a coluna atravessando o útero.
A diretriz da ISUOG de 2024 aponta que a avaliação da apresentação perto do termo reduz casos de apresentação pélvica não diagnosticada e deve ser considerada se houver recursos. Em centros de parto, a confirmação na admissão evita surpresas no período expulsivo.
2. Atividade e frequência cardíaca fetal
Identifique o coração fetal em corte de quatro câmaras ou transversal do tórax. Para documentar a frequência, use o modo M, posicionando a linha sobre a parede ou as valvas e medindo ciclos entre dois batimentos. Pelo princípio de exposição tão baixa quanto razoavelmente possível, use o Doppler pulsado apenas quando necessário e pelo menor tempo. A linha de base considerada normal na cardiotocografia, segundo o consenso da FIGO de 2015, fica entre 110 e 160 batimentos por minuto. Achados fora disso, ritmo irregular ou ausência de atividade cardíaca exigem comunicação imediata com a equipe médica.
3. Líquido amniótico
| Método | Como medir | Valores de referência (ISUOG 2024) |
|---|---|---|
| Maior bolsão vertical | Maior bolsão livre de cordão e de partes fetais, medido na vertical, com o transdutor perpendicular ao chão | Oligoâmnio se 2 cm ou menos; polidrâmnio se acima de 8 cm |
| Índice de líquido amniótico | Soma dos maiores bolsões verticais dos quatro quadrantes uterinos | Oligoâmnio se abaixo de 5 cm; polidrâmnio se acima de 25 cm |
A ISUOG prefere o maior bolsão vertical para identificar oligoâmnio isolado, porque ele leva a menos induções de parto com resultados perinatais semelhantes, achado que vem também de revisão Cochrane. Para polidrâmnio, o índice pode ser mais útil. Os dois métodos têm reprodutibilidade limitada, por isso a técnica precisa ser padronizada.
4. Localização da placenta
A diretriz recomenda avaliar a localização placentária em todo exame de terceiro trimestre. Para o Enfermeiro Obstétrico, o objetivo é reconhecer uma placenta que pareça baixa ou próxima ao colo e comunicar a equipe, especialmente diante de sangramento vaginal. A confirmação de placenta prévia, a medida da distância até o orifício interno do colo e a investigação de acretismo cabem à avaliação médica especializada.
Perguntas frequentes
O Enfermeiro Obstétrico pode estimar o peso fetal?
O foco do exame do Enfermeiro são perguntas assistenciais objetivas. Avaliação de crescimento e suspeita de restrição ou macrossomia devem ser encaminhadas para avaliação médica especializada.
O ultrassom substitui o sonar Doppler na ausculta dos batimentos?
Não. A ausculta intermitente e a cardiotocografia seguem como métodos de vigilância no trabalho de parto. O ultrassom ajuda quando a ausculta é difícil ou quando é preciso confirmar a atividade cardíaca.
Enfermeiro generalista pode fazer esse exame?
Não. A norma restringe a ultrassonografia obstétrica ao Enfermeiro Obstétrico com capacitação específica.
A habilitação em ultrassonografia obstétrica do Grupo Nobre trabalha técnica, registro e limites da Resolução Cofen nº 627/2020.
Referências
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 627/2020. Normatiza a realização de Ultrassonografia Obstétrica por Enfermeiro Obstétrico. Brasília: Cofen; 2020.
- Khalil A, Sotiriadis A, D'Antonio F, et al. ISUOG Practice Guidelines: performance of third-trimester obstetric ultrasound scan. Ultrasound Obstet Gynecol. 2024;63(1):131-147.
- Nabhan AF, Abdelmoula YA. Amniotic fluid index versus single deepest vertical pocket as a screening test for preventing adverse pregnancy outcome. Cochrane Database Syst Rev. 2008;(3):CD006593.
- Ayres-de-Campos D, Spong CY, Chandraharan E; FIGO Intrapartum Fetal Monitoring Expert Consensus Panel. FIGO consensus guidelines on intrapartum fetal monitoring: Cardiotocography. Int J Gynaecol Obstet. 2015;131(1):13-24.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736/2024. Implementação do Processo de Enfermagem. Brasília: Cofen; 2024.
