Partograma bem registrado: segurança e respaldo legal

Partograma bem registrado: segurança e respaldo legal

Postado em 11/10/2026

O partograma é ao mesmo tempo ferramenta clínica e documento legal. Um registro incompleto pode atrasar uma decisão e deixar o profissional sem como demonstrar o cuidado que prestou.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaO registro correto do partograma importa por três razões: permite enxergar a evolução do trabalho de parto e identificar desvios a tempo, garante que a equipe do plantão seguinte receba informações confiáveis e documenta o cuidado prestado, com valor ético e legal. Os erros mais comuns são preencher de memória, deixar lacunas de horário, registrar dilatação sem altura da apresentação, omitir batimentos cardiofetais e não anotar intervenções. As diretrizes atuais recomendam ferramentas padronizadas de monitoramento, como o partograma ou o Labour Care Guide da OMS, e alertam que a velocidade de 1 cm por hora, isoladamente, não deve ser usada para indicar intervenção.

Partograma: ferramenta clínica e documento

O partograma reúne em um só gráfico a dilatação cervical, a descida da apresentação, os batimentos cardiofetais, as contrações, o estado da bolsa e do líquido amniótico, os sinais vitais maternos, os medicamentos e as intervenções. A técnica de preenchimento está no post Partograma: como preencher e interpretar. Aqui a pergunta é outra: por que registrar bem faz tanta diferença?

Para a mulher e o bebê, o partograma mostra a tendência do trabalho de parto, e não só um momento. Para a equipe, é a forma de passar o caso com precisão na troca de plantão. Para o profissional, é a prova escrita do que foi avaliado, quando e o que foi feito. Um partograma em branco ou preenchido no fim do parto não cumpre nenhuma dessas funções.

O que as diretrizes atuais dizem

As Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, aprovadas pela Portaria SAS/MS nº 353/2017, já recomendavam o uso do partograma na fase ativa. As recomendações da OMS de 2018 sobre cuidados intraparto, também presentes na versão preliminar de atualização da diretriz nacional, mudaram a forma de ler esse gráfico. O limite de 1 cm por hora na fase ativa, representado pela linha de alerta do modelo clássico, mostrou-se impreciso para identificar mulheres em risco de desfechos adversos e não deve ser usado sozinho como critério de intervenção.

Em 2020, a OMS lançou o Labour Care Guide, uma nova geração de partograma que inclui o cuidado de suporte, como acompanhante, alívio da dor, ingesta oral e posição, e propõe referências de tempo por centímetro de dilatação. Isso não diminui a importância do registro. Pelo contrário, quanto mais individualizada a avaliação, mais o raciocínio clínico depende de dados bem anotados.

Erros comuns e como evitá-los

ErroRiscoComo evitar
Preencher de memória, ao final do plantãoDados imprecisos e perda da tendênciaRegistrar logo após cada avaliação
Abrir o partograma fora da fase ativaLeitura distorcida da evoluçãoSeguir o critério de fase ativa do protocolo institucional
Registrar dilatação sem altura da apresentaçãoDesproporção ou parada de descida passam despercebidasAnotar sempre os dois parâmetros juntos
Lacunas na ausculta fetalSofrimento fetal não documentadoSeguir a frequência de ausculta prevista e anotar cada valor
Omitir ocitocina, analgesia ou amniotomiaInterpretação errada da evoluçãoRegistrar horário, dose conforme prescrição e responsável
Rasuras e abreviações não padronizadasPerda de valor legal e dúvidas na leituraCorrigir conforme as regras de registro e usar só siglas padronizadas

Registro e responsabilidade do Enfermeiro

A Lei nº 7.498/1986 atribui ao Enfermeiro o acompanhamento da evolução e do trabalho de parto, e ao Enfermeiro obstetra a assistência ao parto normal e a identificação de distocias, com providências até a chegada do médico. A Resolução Cofen nº 736/2024 torna obrigatório o Processo de Enfermagem, com registro de todas as etapas, e o Cofen mantém um guia de recomendações para registros no prontuário. Em uma auditoria, sindicância ou processo ético, o partograma é um dos primeiros documentos analisados.

Registrar bem é uma habilidade que se treina, com casos reais e revisão de partogramas preenchidos. A Habilitação em Partograma do Grupo Nobre trabalha o preenchimento, a leitura e o uso do partograma na tomada de decisão, com base nas diretrizes atuais.

Perguntas frequentes

O partograma ainda é obrigatório?

As diretrizes nacionais e a OMS recomendam o uso de ferramenta padronizada de monitoramento do trabalho de parto, como o partograma ou o Labour Care Guide. A obrigatoriedade e o modelo adotado devem constar do protocolo da instituição.

A linha de alerta deixou de valer?

Ela ainda aparece em modelos usados nos serviços, mas a velocidade de 1 cm por hora não deve ser usada isoladamente para indicar intervenção.

Posso corrigir um erro no partograma?

Sim, sem apagar ou rasurar o registro original: risque com um traço que permita a leitura, escreva a correção e identifique data, hora e responsável, conforme as regras de registro da instituição.

Registro do trabalho de parto

Preenchimento, leitura e uso do partograma nas decisões da equipe.

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Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria SAS/MS nº 353, de 14 de fevereiro de 2017. Aprova as Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal.
  2. World Health Organization. WHO recommendations: intrapartum care for a positive childbirth experience. Geneva: WHO; 2018.
  3. World Health Organization. WHO Labour Care Guide: user's manual. Geneva: WHO; 2020.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 514/2016. Guia de recomendações para registros de enfermagem no prontuário do paciente.
  5. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 516/2016, alterada pelas Resoluções Cofen nº 524/2016 e nº 672/2021.
  6. Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem.
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